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O CDS escolheu generais para dar formação aos seus jovens soldados em Peniche. A Escola de Quadros do CDS, que começa na quinta-feira e dura até domingo, conta, no painel de oradores, com um general do exército que pediu para passar à reserva após o caso de Tancos, Faria de Menezes, mas também com dois “generais” na reserva da política: um da casa, o ex-líder centrista Paulo Portas, e outro do partido amigo, o ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes. Os alunos são cerca de uma centena de militantes da Juventude Popular (JP), estrutura que partilha a organização do evento com o CDS, o PPE (Partido Popular Europeu) e a Fundação Konrad Adenauer.

O líder da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, explica que os participantes são “todos militantes da JP”, mas garante que o objetivo do evento é “cultivar o mérito” e “dar formação e não impor dogmas”. Conhecido por “Chicão”, o líder dos jovens centristas garante que a ideia não é “formatar jotinhas autómatos, mas sim formar, dando acesso a opiniões diferentes aqueles que amanhã vão ser os governantes do país.” Além disso, o líder da JP convida os jovens a “participarem na modelação do centro-direita europeu”, numa altura em que crescem os populismos e os extremismos na Europa.

O general Faria de Menezes é o único orador de um painel que tem como mote: “Os desafios da Defesa Nacional”. Ora, esta escolha não é inocente, numa altura em que o CDS insiste na demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na sequência do roubo de armamento de Tancos.  Isto porque Faria Menezes não é só um antigo general, é o antigo comandante das Forças Terrestres que pediu para passar à reserva depois do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, ter punido cinco comandantes do exército na sequência do roubo de Tancos.

O coordenador do Gabinete de Estudos, Diogo Feio, destaca que o general não foi convidado “para falar de assuntos de atualidade”, mas sobre as “políticas para o setor, como o papel de Portugal na defesa europeia, a participação da NATO ou outras questões como o Serviço Militar Obrigatório.” Francisco Rodrigues dos Santos, que formalizou o convite, garante que este “foi feito há mais de um mês” muito antes da polémica que envolveu Azeredo Lopes.

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O antigo líder do PSD e comentador político, Luís Marques Mendes, vai falar sobre “Portugal na Europa”, num painel que conta também com o coordenador do gabinete de estudos e antigo eurodeputado, Diogo Feio. “Para a formação dos jovens é fundamental ouvirmos opiniões diferentes das nossas, de personalidades relevantes de outros partidos e foi nessa base que o convite foi feito a Marques Mendes”, explica Diogo Feio ao Observador.

A presença de Marques Mendes não é uma estreia de oradores militantes de outros partidos na Escola de Quadros dos centristas. Em 2017, um dos oradores foi o antigo presidente da câmara de Sintra, Fernando Seara, depois de, em 2016, dois ex-ministros socialistas (António Vitorino e Maria de Lurdes Rodrigues) também terem participado. Na primeira edição, em 2014, houve um debate entre dois pesos pesados de PS e PSD: Jaime Gama e Marcelo Rebelo de Sousa.

“Portugal na Europa” é também o mote do jantar-debate de sábado, que conta com a presença do antigo líder Paulo Portas. Os regressos de Portas a eventos do CDS são sempre um ponto alto (no Congresso, só apareceu em vídeo). Francisco Rodrigues dos Santos considera-o o “patriarca da Escola de Quadros” e destaca que a temática do evento (em torno de questões europeias e da posição de Portugal na Europa) coincide com o “ângulo político que Paulo Portas tem escolhido para analisar”. Já sobre o futuro da Europa, o orador na Escola de Quadros vai ser o cabeça de lista às Europeias e eurodeputado, Nuno Melo, e o deputado João Almeida.

O evento dos centristas vai contar ainda com um painel que irá partilhar o nome com o programa “E Deus Criou o Mundo”, da Antena 1. Até agora, dos participantes do programa (que conta com Isaac Assor, Comunidade Israelita de Lisboa; e Pedro Gil  da Opus Dei) só está confirmada a presença de Khalid Jamal (Comunidade Islâmica de Lisboa) e de Carlos Quevedo, o produtor do programa e autor de um livro com o mesmo nome.

O CDS vai ainda discutir outros temas como o “Futuro da Comunicação Social”, que terá como oradores Raquel Abecassis, jornalista da Rádio Renascença entre 1989 e 2017 e antiga candidata à junta de freguesia das Avenidas Novas em Lisboa, como independente indicada pelo CDS. Outro dos oradores desse painel é o jornalista Mário Crespo, que em 2010 participou nas jornadas parlamentares do CDS.

O encerramento da Escola de Quadros vai ser feito pelo presidente do Gabinete de Estudos, Diogo Feio, pelo líder da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, e pela líder do CDS, Assunção Cristas.