Há pelo menos oito anos que a concessão de crédito não atingia níveis tão elevados. Os dados do Banco de Portugal revelam que, só nos primeiros oito meses deste ano, as instituições financeiras já emprestaram 6.503 milhões de euros para a compra de casa (metade do valor emprestado em 2007 e a crescer a um ritmo acelerado), mais 3.132 milhões de euros em crédito ao consumo (acima dos níveis de 2007, o ano que antecedeu a crise financeira global), conforme descreve o Jornal de Negócios na sua edição desta quinta-feira.

Estes valores de crédito estão a fazer soar os alarmes no banco central e nas entidades supervisoras, que reconhecem nesses números sinais semelhantes aos registados aos níveis de endividamento que antecederam a crise de 2008. Um dos alertas recentes partiu do secretário de Estado Adjunto e das Finanças, para quem “o crédito a particulares, em especial o crédito ao consumo, deve ser seguido com muita atenção para evitar que seja impulsionado de forma imprudente, como aconteceu no passado”.

Um aviso reforçado pelo governador do Banco de Portugal, que virou a sua preocupação sobretudo para o crédito à habitação. “Esta constatação é particularmente relevante quando se desenvolvem situações de euforia no mercado, nomeadamente no mercado residencial e hipotecário”, lembrou Carlos Costa.

Recorde-se que o Banco de Portugal anunciou uma medida preventiva, em vigor desde julho passado, que exige às instituições financeiras que definam limites nas novas operações de crédito, como prazo, taxa de esforço e rácio entre o valor do imóvel e o montante do empréstimo.

Também no saldo dos empréstimos para a compra de casa registou-se uma inversão da tendência de queda iniciada em 2011. Em agosto deste ano, chegou a 92.860 milhões de euros, menos que os 97.957 milhões de euros no mesmo mês de 2007. Já no crédito ao consumo, os valores atuais voltam a superar os registados antes da crise financeira: o saldo de agosto de 2018 foi de 14.762 milhões de euros, há 11 anos foi de 12.180 milhões de euros.