Jamal Khashoggi, o jornalista que entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, Turquia, há duas semanas — e não voltou a sair — terá morrido no decorrer de uma troca de murros, noticiou a imprensa estatak saudita, citada pelo The New York Times. A imprensa da Arábia Saudita também diz que 18 sauditas foram presos e estão a ser investigados por alegado envolvimento no caso.

O procurador do reino, numa declaração, afirma que Khashoggi se envolveu numa discussão com os homens com quem se encontrou no edifício diplomático, que resultou numa troca de murros. Terá sido essa luta que levou à morte do jornalista. A afirmação da Arábia Saudita vai contra as declarações de responsáveis turcos, que afirmam que Khashoggi foi morto e desmembrado no consulado, num assassinato premeditado.

Gravações de câmaras de vigilância mostraram vários veículos a saírem do edifício consulado a 2 de outubro. Esse foi o dia em que Jamal Khashoggi, um opositor ao regime do reino, entrou no local para tratar dos documentos necessários para casar com a noiva, de nacionalidade turca, que ficou à sua espera fora do edifício. Foi divulgado pelo Washigton Post, onde Khashoggi escrevia, que há gravações onde se ouve o jornalista a ser torturado e morto.

Há gravações que mostram que jornalista saudita foi torturado e desmembrado no consulado em Istambul

A Arábia Saudita tem negado envolvimento desde que a história foi divulgada pelo Washigton Post. As autoridades turcas investigaram também o consulado. Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, avançou esta terça-feira que a polícia estava à procura de materiais “tóxicos e apagados com tinta”, porque algumas áreas do consulado saudita de onde Khashoggi desapareceu foram pintadas de fresco.

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