O Presidente da República recordou hoje o general Loureiro dos Santos, que morreu no sábado, como “um patriota”, uma “personalidade consensual” nas Forças Armadas e no país e um “pensador de Portugal e do mundo”.

“É uma grande perda, mas deixa um exemplo, um exemplo muito importante nestes tempos em que o valor da Pátria, da identidade nacional e da independência nacional, do prestígio e do respeito das forças Armadas são valores essenciais”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas quando foi apresentar condolências à família do general, na capela da Academia Militar, em Lisboa, pouco depois de regressar a Lisboa, vindo da Guatemala, onde participou na Cimeira Ibero-Americana.

Marcelo Rebelo de Sousa prestou homenagem ao militar, que teve um papel essencial na transição democrática e na “institucionalização das Forças Armadas” no período pós-revolucionário e como “pensador de Portugal e do Mundo”.

E comparou Loureiro dos Santos ao filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço, que também se deslocou à capela para apresentar condolências à família.

Considerando Loureiro dos Santos uma personalidade que “suscitava consenso nacional”, o Presidente da República notou ainda a sua coragem e frontalidade, afirmando que “se discordava ao ponto de sair, saía, o que aconteceu várias vezes”, como aconteceu com o caso da chamada “lei dos coronéis”, em que se demitiu de Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME).

Num comentário à ausência de representantes dos partidos no velório, Marcelo disse acreditar que “certamente” estarão amanhã “para as cerimónias fúnebres”, porque “se há hoje democracia partidária em Portugal isso deve-se largamente ao general Loureiro dos Santos”.

Pelo velório passaram ainda Jorge Lacão, vice-presidente do parlamento, em representação de Ferro Rodrigues, que se encontra na China; o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho; o major Mário Tomé, militar de Abril e antigo deputado da UDP e o ex-titular da pasta da Defesa do PSD Figueiredo Lopes, além de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal.

Da hierarquia militar estiveram o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Silva Ribeiro, e o atual CEME, general Nunes da Fonseca.

O general José Loureiro dos Santos, antigo ministro da Defesa Nacional e ex-chefe do Estado-Maior do Exército, morreu no sábado em Lisboa, vítima de doença.

Nascido em Vilela do Douro, concelho de Sabrosa, no distrito de Vila Real, em 02 de setembro de 1936, José Alberto Loureiro dos Santos foi ministro da Defesa Nacional entre 1978 e 1980 nos IV e V Governos Constitucionais, chefiados por Carlos Mota Pinto e Maria de Lourdes Pintassilgo, ambos executivos de iniciativa presidencial de Ramalho Eanes.

Militar do ramo de artilharia, Loureiro dos Santos foi vice-Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, em 1977, e Chefe do Estado-Maior do Exército.