Partido Republicano

“Porque é que supremacia branca é um termo ofensivo”, questionou republicano criticado pelo partido (mas não por Trump)

Várias figuras do partido republicano (mas não Donald Trump) censuraram o conteúdo de uma entrevista que o congressista Steve King deu na semana passada ao The New York Times.

Getty Images

“Nacionalismo branco. Supremacia branca. Civilização ocidental. Quando é que estes conceitos se tornaram ofensivos?”. Esta foi uma das frases atribuídas a Steve King pelo The New York Times numa reportagem publicada na semana passada, onde foi entrevistado o congressista republicano que é um dos principais apoiantes de Donald Trump e da proposta de construir o muro na fronteira com o México. Várias figuras do partido republicano (mas não Donald Trump) censuraram o conteúdo da entrevista e retiraram-no das comissões específicas em que participava, aconselhando-o a abandonar o lugar no Congresso.

Esta não foi a primeira vez que este veterano congressista proferiu declarações vistas como racistas e comentários que “não são dignos do partido de [Abraham] Lincoln e, claramente, não são dignos de um americano”, defendeu Kevin McCarthy, um republicano eleito pelo estado da Califórnia que lidera a bancada minoritária dos norte-americanos na Câmara dos Representantes. Também Mitt Romney, antigo candidato republicano à presidência, pediu a King que se demita e Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, recomendou-lhe que “encontre uma outra área profissional para se dedicar”. De Trump, não se ouviram quaisquer comentários.

Steve King foi retirado das comissões em que participava, designadamente ligadas à política na agricultura, mas McCarthy defendeu que cabe aos cidadãos do Iowa decidir se ele deve conservar o seu lugar de congressista. Em sua defesa, o republicano emitiu um comunicado em que diz que as suas palavras foram mal-entendidas e que a sua expulsão das comissões “é uma decisão política que é tomada em desprezo pela verdade”.

Segundo o The New York Times, o congressista terá dito, numa reunião privada com o líder da bancada, Kevin McCarthy: “Tu tens de fazer o que tens de fazer e eu tenho de fazer o que tenho de fazer”. King garante que vai continuar a “defender a verdade” e que conta cumprir o mandato que lhe foi dado “pelo menos nos próximos dois anos”.

Há, porém, quem peça a Trump para tomar uma posição. “Estou feliz por estarem, finalmente, a tomar medidas em relação a Steve King, depois dos vários anos que passou a denegrir os imigrantes e os hispânicos”, comentou o congressista democrata Joaquin Castro, do Texas. “Mas o presidente dos EUA também está a fazer o mesmo e disse algo acerca de Elizabeth Warren [provável candidata à presidência] que foi algo muito feio, do ponto de vista racial, e ainda não ouvimos ninguém do partido republicano a condenar uma palavra que seja”, acrescentou.

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