Protestos

Associação Zero pede ao Governo que legisle para impedir uso de óleo de palma no gasóleo 

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Manifestantes vestidos de orangotango alertam contra os efeitos negativos deste produto. A associação ambientalista portuguesa ZERO, diz que é "três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil".

Associação ambientalista Zero, Lisboa

MÁRIO CRUZ/LUSA

O presidente da associação ambientalista Zero, Francisco Ferreira, fez esta segunda-feira um apelo ao Governo e à Assembleia da República que legisle no sentido de impedir a presença do óleo de palma no gasóleo dos postos de abastecimento.

Francisco Ferreira falava aos jornalistas nesta segunda-feira de manhã durante um protesto junto da representação da Comissão Europeia, em Lisboa, que reuniu cerca de uma dezena de pessoas, mascaradas de orangotango, que decorreu ao mesmo tempo em várias cidades europeias, como Paris, Roma, Berlim, Madrid e Bruxelas.

Em Portugal entre 2017 e 2018 mais que quadruplicamos o uso de óleo de palma. Recebemos de várias fontes, nomeadamente da América do Sul, mas também da Malásia e da Indonésia. Por isso, o nosso apelo é que o Governo e a Assembleia da República legislem para impedir a presença do óleo no gasóleo dos nossos depósitos de combustível”, salientou.

De acordo com o ambientalista, na Europa essa proibição vai ser progressiva entre 2020 e 2030.

“No nosso caso, como país que tem estado na frente de muitas políticas climáticas, gostaríamos de ver essa interdição bem mais cedo”, disse.

“Por isso, o nosso apelo junto da Comissão Europeia a par de outros países nomeadamente nas capitais europeias (…) onde estão 600 orangotangos hoje concentrados a fazer este apelo: Não queremos usar mais óleo de palma que tem vindo a devastar a floresta tropical na Malásia, na Indonésia e a colocar pressão na Amazónia, na América do Sul”, disse.

Francisco Ferreira destacou que o óleo de palma é usado em muitos alimentos, mas a maior percentagem na Europa é precisamente no gasóleo.

“Mais de 520 mil pessoas já apelaram para que a europa deixe de fazer este uso e em Portugal temos vindo a aumentar o uso de óleo de palma. Temos de parar este uso insustentável que põe em causa uma espécie como o orangotango que é símbolo desta campanha que hoje é feita”, salientou.

A destruição das florestas leva ao fim do habitat natural dos orangotangos, mas também de outros animais, especialmente na Malásia e Indonésia, dois grandes produtores de óleo de palma.

O uso de óleo de palma nos veículos automóveis, dizem organizações ambientalistas, está a desflorestar e a drenar turfeiras no sudeste da Ásia, para a plantação do óleo, e na América do Sul as plantações de óleo de palma também está a levar a fortes pressões sobre a floresta amazónica.

Segundo a associação ambientalista portuguesa ZERO, o biodiesel a partir do óleo de palma é “três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil”, sendo que em 2018 mais de metade do óleo de palma usado na Europa acabou nos depósitos dos veículos.

Ainda segundo a organização, em Portugal foram usados 31 milhões de litros entre janeiro e setembro do ano passado, quatro vezes mais do que em todo o ano de 2017.

Mais de 520 mil pessoas subscreveram uma petição europeia contra o óleo de palma a pedir à Comissão que retire o apoio ao uso do óleo para a produção de biodiesel.

Cidades europeias, incluindo Lisboa, em protesto contra óleo de palma

Manifestantes ambientalistas concentram-se esta segunda-feira junto das representações da Comissão Europeia em várias capitais europeias, incluindo Lisboa, para protestar contra o óleo de palma nos biocombustíveis, denunciando os efeitos de desflorestação e impactos em animais como o orangotango.

A destruição das florestas leva ao fim do habitat natural dos orangotangos, mas também de outros animais, especialmente na Malásia e Indonésia, dois grandes produtores de óleo de palma.

O uso de óleo de palma nos veículos automóveis, dizem organizações ambientalistas, está a desflorestar e a drenar turfeiras no sudeste da Ásia, para a plantação do óleo, e na América do Sul as plantações de óleo de palma também está a levar a fortes pressões sobre a floresta amazónica.

É assim que esta segunda-feira, em Lisboa, mas também em Roma, Bruxelas, Berlim, Paris ou Madrid, manifestantes, alguns disfarçados de orangotango, vão dizer “no meu depósito não”, apoiados por dezenas de organizações não governamentais.

No “dia europeu de ação contra o biodiesel de óleo de palma” o protesto “inclui” mais de 520 mil pessoas que subscreveram uma petição europeia contra o óleo de palma e que querem que a Comissão retire o apoio ao uso do óleo para a produção de biodiesel.

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