A Arábia Saudita nomeou pela primeira vez uma mulher como embaixadora. A princesa Reema bint Bandar vai substituir o príncipe Khaled bin Salmán na embaixada dos Estados Unidos, passando este a vice-ministro da Defesa.

A decisão procura, segundo o jornal El País, cumprir dois objetivos: melhorar as relações com os Estados Unidos, sobretudo depois da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, e reafirmar o compromisso da monarquia com as mulheres.

A embaixada saudita nos Estados Unidos não é uma casa estranha para a princesa de 43 anos. Reema Bint Bandar é filha de Bandar bin Sultán, que foi embaixador no país entre 1983 e 2005. A princesa passou vários anos no país, tendo, inclusivamente, estudado Museologia na Universidade George Washington.

Depois de voltar à Arábia Saudita, Reema bint Bandar foi uma das poucas mulheres da família real que teve uma ativa vida política. Ao fim de 10 anos como empresária, a princesa tornou-se uma ativista dos direitos das mulheres, sobretudo no desporto. Foi vice-presidente para os assuntos das mulheres na General Sports Authority (GSA) — órgão saudita responsável pelo desporto — desde 2016, foi nomeada presidente da Federação Saudita de Desportos Comunitários, em 2017, e foi nomeada para o Comité Olímpico Internacional (COI), em agosto de 2018, lembrou o Arab News. Reema bint Bandar promoveu a participação das mulheres no desporto e conseguiu que a educação física fizesse parte da oferta nas escolas públicas onde estudam meninas.

A princesa também é uma defensora da atividade profissional das mulheres. Não tivesse ela criado em 2013 uma marca própria de malas de senhora (a Baraboux), sido diretora executiva das empresas Al Hama LLC e Alfa International e co-fundado o Yibreen, um spa para mulheres.

Reema bint Bandar já mostrou ter capacidade para lutar pelos direitos das mulheres, falta saber se conseguirá reatar as boas relações com os Estados Unidos, fragilizadas depois da morte do correspondente saudita, que trabalhava para o jornal The Washingthon Post, na embaixada saudita na Turquia, alegadamente com o conhecimento do príncipe herdeiro.