Abusos na Igreja

Abuso sexual em Almada. Padre diz que não estava na creche naquele dia

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O padre responsável pelo centro paroquial de Cacilhas, onde uma criança de 5 anos terá sofrido abusos sexuais, apontado pela mãe da vítima como suspeito, enviou comunicado a esclarecer o caso.

Queixa foi apresentada em janeiro ao Ministério Público de Almada

AFP/Getty Images

A direção do centro paroquial de Cacilhas, do qual faz parte a creche na qual terá ocorrido uma situação de abuso sexual que está a ser investigada pelo Ministério Público, afirmou esta terça-feira que o padre responsável pela instituição não se encontrava nas instalações do centro no dia dos alegados abusos — uma justificação que não foi dada ao Observador nos dois contactos feitos anteriormente com o sacerdote.

De acordo com um comunicado interno daquele centro paroquial, “em resposta às declarações da mãe do menor [que apontou o dedo ao padre], a Direção do Centro Paroquial de Bem Estar Social de Cacilhas informa que o Sr. Padre não se encontrava nas instalações deste centro à data dos alegados factos” — data que a própria mãe da vítima apenas conhece por aproximação, uma vez que quando levou o filho ao hospital a lesão que este apresentava já estava a cicatrizar.

Esta segunda-feira, o Observador noticiou que o Ministério Público abriu em janeiro uma investigação a um alegado caso de abuso sexual numa creche da Igreja no concelho de Almada, depois de uma queixa apresentada pela mãe do menor. Dois meses depois, o bispo de Setúbal, D. José Ornelas, enviou ao Ministério Público a informação de que circulavam na paróquia “rumores” de que a mãe apontava o pároco como suspeito dos abusos.

“A Direção do Centro Paroquial de Bem Estar Social de Cacilhas confirma que em Janeiro de 2019 foi reportado pela mãe de um menor utente da pré-primária a existência de um alegado abuso sexual, que terá ocorrido nas suas instalações”, lê-se no comunicado.

“A comunicação da mãe do menor deu origem a processos de investigação junto das autoridades competentes, tendo a Direção do Centro Paroquial de Bem Estar Social de Cacilhas colaborado com as autoridades judiciais, prestado todas as informações solicitadas e informado a situação à Diocese de Setúbal”, continua a nota enviada às redações.

No comunicado, a direção da instituição garante que “teve sempre a segurança e o bem estar dos seus utentes e crianças como objetivo principal, adoptando medidas de segurança adicionais nas instalações”, e acrescenta que “os processos de investigação estão em segredo de justiça, não tendo a Direção do Centro Paroquial de Bem Estar Social de Cacilhas mais informações a disponibilizar, esperando o seu célere desenvolvimento em prole do bem estar do menor”.

As medidas de segurança adicionais passam pela instalação de um sistema de videovigilância e pelo registo de entradas e saídas dos adultos — algo que até então não era feito. As crianças também deixaram de poder sozinhas à casa de banho.

Antes de publicar a primeira notícia, o Observador contactou por duas vezes o pároco de Cacilhas, que nunca apresentou esta justificação, remetendo mais informações para o gabinete de comunicação da diocese de Setúbal.

Mãe mostrou fotografias ao filho para saber quem era o suspeito

A 17 de janeiro, após identificar lesões na criança, a mãe foi ao hospital Garcia de Orta, onde o menor foi sujeito a exames médicos. No dia seguinte, a mulher comunicou as suspeitas à direção da creche e nesse dia, à noite, apresentou queixa na PSP. Nesta altura, a mãe ainda não desconfiava de quem poderia ter sido o autor dos abusos.

O caso passou para a alçada da PJ, que, no início de fevereiro, pediu ao Ministério Público que ordenasse exames físicos e psicológicos e uma audição à vítima para memória futura. Até hoje, o processo ainda não voltou às mãos da PJ, e a família e a vítima ainda não foram ouvidas.

Desesperada pela espera e pela falta de contacto, no final de fevereiro, a mãe decidiu tentar perceber, pelos seus meios, quem havia sido o autor do crime. Por um lado, sabia que não podia sugestionar a criança, fazendo-lhe perguntas; por outro, estava demasiado ansiosa em procurar o responsável.

Um dia, conseguiu que o filho lhe dissesse que o abusador tinha óculos e juntou essa informação à de uma amiga, que lhe tinha dito que o responsável pelo centro paroquial — o padre — usava óculos. A pensar que podia chegar à verdade, aproveitou um momento de calma da criança e começou a mostrar-lhe fotografias de vários homens com óculos, entre eles o sacerdote. Até que, quando chegou a ele, a criança apontou-o como sendo o “homem mau” que a tinha agredido.

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