Festival Eurovisão da Canção

Eurovisão. Artistas palestinianos, apoiados por israelitas, pedem desistência a concorrentes

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Segundo os artistas palestinianos, Israel pretende utilizar as atuações de artistas internacionais para branquear crimes do país contra a Humanidade. É o segundo apelo, já subscrito por israelitas.

A primeira semifinal decorre a 14 de maio

PEDRO PINA/EPA

Artistas palestinianos de várias áreas apelaram, numa carta aberta, aos concorrentes do Festival Eurovisão da Canção deste ano para que se retirem do concurso, que irá decorrer em maio, em Israel, tendo a missiva sido apoiada por artistas israelitas.

“Nós cantores, compositores, bailarinos, músicos e outros artistas palestinianos apelamos a todos os concorrentes do Festival Eurovisão da Canção 2019 para que se retirem do concurso, evitando participar na agenda explícita de Israel de usar atuações de artistas internacionais para branquear os seus crimes contra a Humanidade”, lê-se na carta, subscrita por 113 pessoas, esta terça-feira divulgada em vários órgãos internacionais de comunicação social.

Esta carta aberta foi tornada pública no mesmo dia de uma outra, subscrita por “artistas, músicos, realizadores e autores” israelitas, na qual é feita o mesmo apelo.

“Nós, enquanto artistas, não podemos ficar calados enquanto os nossos homólogos palestinianos sofrem silenciamento, desumanização e violência, e pedimos que se juntem a nós numa tomada de posição. Artistas palestinianos apelaram-vos para desistirem do Festival Eurovisão da Canção, e nós juntamo-nos a esse apelo, pelo bem deles e pelos nossos futuros”, lê-se na carta.

Alguns dos 27 artistas israelitas que assinam a carta aberta hoje divulgada, já tinham subscrito uma outra, tornada pública em setembro do ano passado, na qual mais de uma centena de artistas de todo o mundo, incluindo de Portugal, manifestaram apoio a um apelo de organizações culturais palestinianas para o boicote à edição deste ano do concurso, caso, como naquela altura estava apenas previsto, decorresse em Israel.

O Festival Eurovisão da Canção é disputado este ano por 41 países. Portugal é representado por Conan Osíris, com o tema “Telemóveis”, que irá atuar na primeira semifinal, marcada para 14 de maio. A segunda semifinal decorre a 16 de maio e a final a 18 de maio.

Israel acolhe este ano o concurso, depois de o ter vencido, pela quarta vez, em maio do ano passado, em Lisboa, com o tema “Toy”, interpretado por Netta. Nos últimos meses, várias organizações de todo o mundo têm apelado ao boicote à edição deste ano do concurso, por se realizar em Israel.

Em janeiro, mais de 60 organizações, a maioria de defesa dos direitos LGBTQIA, de vários países, Portugal incluído, apelaram aos membros daquela comunidade para que boicotem o concurso.

Em junho do ano passado, diversas organizações culturais palestinianas apelaram ao boicote ao concurso, sublinhando que “o regime israelita de ocupação militar, colonialismo e apartheid está descaradamente a usar a Eurovisão como parte da sua estratégia oficial ‘Brand Israel’, que tenta mostrar ‘a face mais bonita de Israel’ para branquear e desviar a atenção dos seus crimes de guerra contra os palestinianos”.

Em novembro, vários artistas portugueses apelaram, numa carta aberta dirigida à RTP, responsável pela escolha do representante nacional, ao boicote de Portugal ao Festival Eurovisão da Canção.

Também a BBC recebeu uma carta aberta na qual várias personalidades, incluindo a designer de moda Vivienne Westwood, o músico Peter Gabriel, o realizador Mike Leigh e a banda Wolf Alice, instavam a estação, responsável pela escolha do representante do Reino Unido, a pedir à organização que alterasse a localização da edição de 2019 do concurso.

Mais recentemente, em março deste ano, o músico britânico Roger Waters, um dos fundadores dos Pink Floyd, dirigiu uma carta aberta a Conan Osíris, e aos outros finalistas, na qual revelava que tinha escrito “há alguns dias”, uma carta particular ao “jovem e talentoso cantor português”.

Roger Waters considera que, entre os finalistas da Eurovisão, o representante português é aquele que tem “amor suficiente no coração para se erguer e fazer a diferença”, ao “defender o lado certo da história”, bastando-lhe, para isso, “fazer a coisa certa” e ser “o tal”.

Até hoje, Conan Osíris não respondeu ao apelo de Roger Waters. Numa entrevista a um canal de televisão, israelita, quando questionado sobre se era verdade que Roger Waters lhe tinha enviado uma carta Conan Osíris respondeu: “Bem, é o que se vê”.

De acordo com o regulamento do concurso, os concorrentes não podem tomar posições políticas, correndo o risco de serem desclassificados.

Antes de Roger Waters, no início de março, já o Comité de Solidariedade com a Palestina, o SOS Racismo e as Panteras Rosa tinham apelado a Conan Osíris para não ir a Telavive representar Portugal, em solidariedade com artistas palestinianos.

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