Nuno Melo garante que não vai largar a “confusão Berardo”. E confusão é um termo bem aplicado, tendo em conta o próprio candidato teve de vir corrigir à noite o que tinha dito à tarde. Falando em Albufeira, num jantar para militantes, o candidato do CDS assumiu o passo em falso que tinha dado esta tarde quando associou erradamente os empréstimos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos a Joe Berardo aos acordos feitos entre o empresário e o Governo chefiado por José Sócrates, onde António Costa era ministro da Administração Interna. A fundação Coleção Berardo é que teve protocolo com o Estado (para expor obras no Museu Berardo, no CCB), mas não foi essa fundação que contraiu os empréstimos.

Melo admitiu o “lapso” e depois fez fuga em frente: “O que percebemos é que as fundações e as associações com nome Berardo multiplicaram-se pelo país como cogumelos, e cogumelos tóxicos”, disse. “O CDS não se calará sobre este caso”, porque, disse, “é o maior exemplo de delinquência bancária paga pelos contribuintes”. E carregou nas tintas: “Falta castigar, falta julgar, falta punir todos os responsáveis que permitiram, à margem de toda a racionalidade, chegar aqui”, disse, referindo-se ao facto de Joe Berardo, em 2007, através duma fundação, ter pedido emprestado à Caixa Geral de Depósitos, banco público, 350 milhões de euros para comprar ações de outro banco. Quem paga? “Os contribuintes”.

Por isso, disse Nuno Melo, a única forma de tirar o “sorriso da cara do sr. Joe Berardo” é fazendo com que o Estado recupere o dinheiro que “ele usou, e não era seu”. “No dia em que o Estado conseguir recuperar o dinheiro que o sr. Joe Berardo usa mas não é seu, garanto que perderá aquele sorriso”, disse, lembrando que os casos de crime de colarinho branco enchem páginas de jornais mas poucos resultam na reposição do dinheiro desviado. Nuno Melo quer, por isso, punição para os responsáveis.

Tiro ao alvo à ministra da Saúde. “Os problemas de saúde não se resolvem com ideologia e hinos marxistas”

Além da “confusão Berardo” e do tema dos incêndios, que Nuno Melo não irá largar — desta vez acusou ainda o Governo de não fazer nada em relação “aos milhões de euros” dados por privados para as vítimas dos incêndios  que “estão desaparecidos” — Nuno Melo atirou-se ainda contra a ministra da Saúde devido aos problemas nos hospitais e com os doentes que morreram à espera de cirurgias.

Marta Temido foi um dos alvos da noite, depois de Nuno Melo ter lido a notícia de que os hospitais de Faro e Portimão estão a cancelar cirurgias até 21 de maio e lembrar o caso do número de doentes em fila de espera para cirurgias que morreram. “Isto é que é abusar do sentimento alheio”, disse, referindo-se tanto aos problemas da saúde como ao dinheiro perdido das vítimas dos incêndios, em contraponto com as críticas que Costa tem feito relativamente ao suposto “aproveitamento político” dos fogos em campanha eleitoral.

Os problemas de saúde não se resolvem com ideologia e hinos marxistas, resolvem-se com recursos. Os recursos que faltam todos os dias. Precisamos de menos hinos, menos música, mais dinheiro, mais médicos, mais pessoal hospitalar”, afirmou Melo, depois de citar Marta Temido que disse que, quando está tensa, ouve o hino da CGTP. O eurodeputado sugeriu mesmo a substituição da governante, ao dizer: “Se calhar o que faz falta em Portugal é outro ministro da Saúde”.

Mais: “Alguém que tutela a pasta e se permite dizer que, das pessoas que morreram necessitando de cirurgia, 30% apenas não foram operadas além do prazo, devia ter vergonha. E, no dia seguinte, houvesse um primeiro-ministro com o mínimo de sentido de Estado, já a teria retirado do cargo”, afirmou, sugerindo mais uma vez a demissão da ministra.