Eleições Europeias

Matteo Salvini, rei e senhor dos eurocéticos

491

Após uma campanha marcada pelo tema da imigração, Liga vence Europeias em Itália. Salvini tem resultado muito forte e deixa o parceiro da coligação governamental, o 5 Estrelas, à distância.

Matteo Salvini, líder da Liga, a votar

AFP/Getty Images

“Obrigado, Itália”. Não foi numa sala convencional, como a sede do partido ou um hotel, que o líder do partido de extrema-direita eurocético Liga escolheu agradecer o primeiro lugar nestas eleições Europeias. Foi, sim, no sítio a partir do qual tem feito grande parte da política italiana dos últimos meses: no Twitter.

Foi a forma de alimentar o veículo através do qual Matteo Salvini tem comunicado com os eleitores. Seja em campanha eleitoral, seja já no governo — onde está como ministro do Interior, em coligação com o Movimento 5 Estrelas —, é nas redes sociais que Salvini explica o que pensa e o que sente. E a tática, parte de uma estratégia maior deste antigo partido separatista do norte de Itália tornado nacionalista, tem dado frutos.

A sondagem à boca das urnas da RAI 1 coloca o partido de Salvini em primeiro lugar nestas eleições Europeias, com 27% a 31% dos votos. É uma vitória clara, sem margem para dúvidas, que fará o partido passar de apenas cinco eurodeputados para uns prováveis 25. É que em 2014 a Liga — que à altura ainda se chamava Liga do Norte — não foi além dos 6% nas eleições Europeias. Agora, Matteo Salvini surge como rei e senhor da política italiana.

As projeções, no entanto, revelam uma surpresa: o regresso do Partido Democrático, ex-força política do centro-esquerda do antigo primeiro-ministro Matteo Renzi (agora liderado por Nicola Zingaretti). Em 2014, tinha sido o claro vencedor, elegendo 31 eurodeputados. Mas ninguém esperava que conseguisse o segundo lugar em 2019, com 21% a 25% dos votos. Basta recordar que, nas legislativas de 2018, o tradicional partido do centro-esquerda caiu para terceiro, sendo ultrapassado pela Liga e pelo 5 Estrelas.

O reverso da medalha dessa surpresa é a queda do 5 Estrelas, que deverá ficar em terceiro lugar (18,5%-22,5%). O partido de Luigi di Maio, que indicou o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, parece estar a desgastar-se com o exercício do poder — e com o combate contra o aliado governativo, a própria Liga.

As divisões entre Salvini e Di Maio têm marcado os últimos tempos, nomeadamente no tema preferido da Liga, a imigração. O ministro do Interior protagonizou recentemente um episódio inusitado, quando foi informado num programa televisivo em direto de que um navio com migrantes foi autorizado a entrar no porto de Lampedusa por um procurador siciliano, desafiando a ordem de “portos fechados” para navios com pessoas resgatadas no Mediterrâneo.

“Não mudei de ideias e o ministro sou eu”, declarou nessa entrevista. Os eleitores, aparentemente, concordam. Di Maio até pode ser vice-primeiro-ministro, mas, para os italianos, quem manda é Matteo Salvini.

Artigo atualizado para corrigir a referência ao primeiro-ministro italiano. É Giuseppe Conte e não Luigi di Maio.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cbruno@observador.pt
Ambiente

A onda verde na UE e os nacionalismos

Inês Pina
134

Se hoje reduzíssemos as emissões de CO2 a zero já não impedíamos a subida de dois graus centígrados. E estes “míseros” dois graus vão conduzir ao fim das calotas polares e à subida do nível do mar.

Eleições Europeias

Os ventos que sopram da Europa

Jose Pedro Anacoreta Correira

É preciso explicar que o combate pela redução de impostos não significa menos preocupação social. É precisamente o inverso: um Estado menos pesado contribui para uma sociedade mais justa. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)