O que tem a ver a vitória do FC Porto frente à Roma na segunda mão dos oitavos da Liga dos Campeões e a chegada (agora oficial) de Julen Lopetegui ao Sevilha? Aparentemente, nada. No entanto, foi a partir dessa derrota dos transalpinos que muitas coisas foram mudando no conjunto da Andaluzia (também afastado entretanto nos oitavos da Liga Europa pelos checos do Slavia de Praga), com entradas e saídas de jogadores, diretores desportivos e treinadores. E se o antigo selecionador espanhol chegou a ser apontado à formação romana e ao Bayern, parecia escrito que continuaria em Espanha por uma série de acontecimentos que o colocaram na pole position para comandar o sexto classificado da Liga, naquela que será a terceira experiência em Espanha.

Jesus trocou-lhe as voltas, Pinto da Costa queixava-se que deixava o Ferrari na garagem. Agora, vai a acelerar para o Real

Passo 1: a altercação entre Monchi e os adeptos da Roma. No final do prolongamento no Dragão entre FC Porto e Roma, um golo de Alex Telles de grande penalidade acabou por carimbar a passagem dos azuis e brancos aos quartos da Champions, afastando assim a equipa que tinha alcançado as meias-finais da Liga milionária na época anterior depois de uma fantástica reviravolta com o Barcelona. “Destruíste a equipa, tens de ir embora. Tens é de estar calado e ir embora”, atiraram ainda no aeroporto Francisco Sá Carneiro alguns adeptos das claques romanas. “Vocês são bons aqui e agora, daqui a seis meses vou apanhar-vos um a um”, respondeu o espanhol Monchi, diretor desportivo da equipa.

Passo 2: as mudanças na Roma. No seguimento da eliminação e da troca de palavras entre responsável pelo futebol e adeptos, os dirigentes do clube reuniram de emergência logo no dia seguinte e preferiram cortar de uma ponta à outra o projeto que tinham começado dois anos antes, quando Monchi saiu do Sevilha e foi apresentado na capital italiana. Eusébio Di Francesco, o treinador que há muito era contestado, foi o primeiro a rescindir; ato contínuo, o espanhol deixou também o cargo de diretor desportivo. Uma revolução que ficou fechada com a contratação do experiente Claudio Ranieri, para tentar ainda um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões em 2019/20 – um objetivo que acabou por cair na penúltima jornada.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Claudio Ranieri é o novo treinador da Roma. Francesco Totti ligou ao treinador que já aterrou em Itália

Passo 3: o regresso à Andaluzia. Uma semana depois das mexidas em Roma, os responsáveis do Sevilha decidiram também mudar o seu futebol, dispensando o treinador Pablo Machín que tivera um grande início de temporada mas que foi caindo com o passar das jornadas no Campeonato – e que acabou por ser eliminado de forma surpreendente da Liga Europa pelo Slavia de Praga, naquela que foi a grande surpresa dos oitavos. Ainda assim, havia vontade de manter Joaquín Caparrós, que na época anterior tinha agarrado o comando depois da saída de Montella e que entretanto passara para diretor do futebol. A solução encontrada acabou por não surpreender: apenas oito dias depois de ter rescindido com a Roma, Monchi, que fez toda a carreira no Sevilha antes de passar para a estrutura do futebol em 2000, regressou como diretor e Caparrós passou de novo a treinador.

Joaquín Caparrós, treinador do Sevilha, revela que sofre de leucemia crónica mas vai continuar a treinar

Passo 4: a definição de um novo projeto. Nas últimas jornadas, o Sevilha acabou por perder a hipótese de levar a decisão pelo quarto lugar até ao final, numa luta que se passou a cingir apenas a Valencia e Getafe. Assim, e com o quinto/sexto lugar “controlados”, todas as atenções se centraram na preparação da próxima temporada, até depois do anúncio de Caparrós de que padecia de uma leucemia crónica mas que ficaria até terminar o Campeonato antes de saltar para outro cargo na estrutura: além das várias mexidas no plantel, a prioridade passava por encontrar um treinador que se adaptasse ao novo projeto desportivo que estava a ser construído para colocar o clube na luta por um dos quatro de lugares de acesso à Champions.

Oficial: Lopetegui despedido do comando técnico do Real Madrid. Solari assume cargo

Passo 5: o peso de conhecer a realidade espanhola. Laurent Blanc, técnico francês que passou pelo Bordéus, pela seleção e pelo PSG até 2016, tirando depois uma espécie de “período sabático”, foi o primeiro nome a ser apontado ao comando do Sevilha, naquela que seria uma aposta muito pessoal de Monchi. Eusébio Di Francesco, italiano que o diretor desportivo tinha contratado para a Roma, foi também falado. No entanto, a opção acabou por recair mesmo em Julen Lopetegui (que Monchi já teria sondado quando estava em Itália, embora nessa altura o antigo guarda-redes estivesse de pedra e cal na seleção), técnico que passou alguns anos nas seleções jovens espanholas antes de treinar FC Porto, Espanha e Real Madrid, não só pelo conhecimento da realidade da Liga mas também pelo trabalho feito nos Sub-21 da Roja, muitos deles hoje opção na seleção principal.