Mais de 65 mil pessoas foram assassinadas no Brasil 2017, divulgou esta quarta-feira o Atlas da Violência, um estudo realizado e divulgado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados indicam que o país alcançou o maior nível histórico de letalidade violenta intencional, atingindo uma taxa de 31,6 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, número 4,2% superior ao observado em 2016, de 30,3 mortes por 100 mil habitantes.

Segundo os dados, foram assassinadas 65.600 pessoas em 2017, mais 1.707 do que um outro estudo divulgado apenas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que havia registado a ocorrência de 63,8 mil assassínios no país no mesmo período.

Além dos dados públicos obtidos junto da Secretaria de Segurança Pública dos estados brasileiros, o Atlas da Violência também considera informações sobre mortalidade do Ministério da Saúde.

O estudo mostra que houve um aumento da violência especialmente em estados do Norte e do Nordeste do país. No Acre, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Sergipe este aumento ficou acima de 10%.

Houve também um crescimento da taxa de mortes causadas por armas de fogo no Brasil, que foi de 22,9 em 2017 para cada grupo de 100 mil habitantes, o que significa que 47.510 pessoas foram assassinadas com o uso de armas. Esta é a maior taxa registada nesta década.

O levantamento mostrou que 92% das pessoas assassinadas no país em 2017 eram homens, e apenas 8% mulheres. No relatório refere-se ainda um novo aumento dos assassínios de jovens com idade entre 15 e 19 anos, que somaram 35.783 casos em 2017, dado que indica o registo de uma taxa de 69,9 mortes a cada 100 mil – recorde dos últimos 10 anos.

Houve também um aprofundamento da desigualdade racial nos indicadores de violência letal no Brasil. Em 2017, 75,5% das vítimas de homicídios eram homens negros e mulatos. Assim, a taxa de homicídios para cada grupo de 100 mil pessoas negras no Brasil foi de 43,1, ao passo que a taxa de assassínios de não negros foi de 16.

Pela primeira vez, o Atlas da Violência tem dados sobre a violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTI+).

Não há no Brasil dados exatos sobre a dimensão da população LGBTI+, mas o Atlas da Violência compilou informações obtidas junto de um canal de denuncia chamado Disque 100, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que indicou uma subida de 127% do número de denúncias de homicídio contra este grupo.