Esta sexta-feira, as ruas de várias cidades da Suíça pintam-se de roxo. Foi a cor escolhida pelas mulheres no país para se manifestarem contra as desigualdades salariais e falta de direitos do sexo feminino. As mulheres ganham na Suíça 12% menos que os homens e realizam esta sexta-feira uma greve nacional com vários eventos ao longo do dia como forma de protesto.

A greve desta sexta-feira é apenas a segunda no país no que toca a desigualdade salarial — a primeira greve de mulheres aconteceu há quase 30 anos, lembra o The Guardian. Os protestos começaram ainda durante a noite e o Financial Times aponta para a adesão de dezenas de mulheres, com o Frauenstreik — grupo organizador — a esperar um “mar roxo” em todo o país esta sexta-feira.

“O objetivo é parar o país com uma greve feminista, uma greve de mulheres”, explicou a ativista Marie Metrailler. Em algumas cidades, os infantários vão estar fechados e algumas escolas estarão em serviços mínimos para permitir que funcionárias e professoras se possam juntar aos protestos. Ao longo do dia, serão realizados piqueniques, marchas e várias demonstrações. As protestantes reivindicam ainda o fim da violência e discriminação contra o sexo feminino e o aumento do tempo da licença de paternidade.

Houve um movimento muito forte de mulheres na Suíça no início do século passado. Algumas expressões que tinham nas bandeiras da altura ainda poderiam ser usadas hoje. Os problemas são os mesmos”, destaca Salome Schaerer, uma das organizadoras da greve.

O reconhecimentos dos direitos das mulheres na Suíça tem sido um processo longo. Até 1985, as mulheres precisavam de autorização dos maridos para trabalhar ou até para abrir uma conta bancária. A Suíça foi mesmo um dos últimos países da Europa a conceder às mulheres o direito de votar, em 1971. E lembra o manifesto da greve que as trabalhadoras do sexo feminino na Suíça continuam a ganhar em média menos 12% do que os homens.

As manifestantes estão a erguer uma faixa que diz “Fechado devido a greve de Mulheres” à porta do Palácio Federal suíço

Trabalhadores e sindicatos assinaram em 1937 um acordo denominado “Paz no Trabalho”. O acordo decreta que as desigualdades no emprego devem ser resolvidas através de negociações e não de greves, o que fez que as greves fossem sempre mais raras de acontecer no país.

Em 1991, a Suíça testemunhou, no entanto, um evento semelhante: cerca de 500 mil mulheres realizaram marchas e piqueniques em várias cidades do país. Foi um dos maiores eventos nacionais na História do país — apesar de muitas mulheres terem sido impedidas de participar. Quase 30 anos depois, pessoas que aderiram a essa greve contam ao Financial Times que pouco mudou desde então.

Muitas mulheres estavam confiantes de que o progresso surgiria de forma natural com o tempo. Mas agora muitas mulheres estão a perceber que isso não vai acontecer automaticamente. Ainda temos de lutar pelo progresso. Resume-se tudo ao poder. E as pessoas que têm o poder não vão simplesmente abdicar dele”, disse Min Li Marti, socióloga e deputada no parlamento suíço.

Já no ano passado, as mulheres tentaram alterar a lei que supervisiona o pagamento de salários. Esta lei não inclui sanções contra empregadores que permitam diferenças salariais. O parlamento não permitiu a sua alteração e a nova greve nacional parte também da frustração contra esta decisão. O parlamento suíço e vários políticos já demonstraram no entanto o seu apoio à greve desta sexta-feira.