Rádio Observador

Futebol

Uma “batata” na cara, dois troféus, três penáltis defendidos: Rui Patrício brilha pelos Wolves frente ao City

1.778

Apesar do inchaço bem visível na cara após choque com Sterling, Rui Patrício quis ficar na final do Asia Trophy com o City, foi o melhor do jogo e defendeu ainda três penáltis no desempate (0-0, 3-2).

Rui Patrício foi decisivo nas grandes penalidades com três defesas e Wolverhampton venceu City na final do Premier League Asia Trophy

Newcastle United via Getty Image

A pré-temporada no futebol, além de envolver sempre a preparação para a época que se avizinha, é também um momento para as entrevistas mais pessoais e descontraídas que perdem tempo e espaço com o acumular de jogos durante a semana. Rui Patrício, guarda-redes que terminou o ano com mais uma conquista pela Seleção, neste caso na Liga das Nações, não foi exceção e recuou no duas décadas para explicar como a passagem de Marrazes para Alcochete teve momentos complicados mas acabou por mudar a sua vida, ao mesmo tempo que estabeleceu a grande diferença em relação ao que acontece hoje com jovens de 11 ou 12 anos.

“Sempre fui responsável e nunca dei preocupações aos meus pais. Os meus pais nunca me pressionaram. Hoje existe cada vez mais pressão e é por isso que os miúdos, aos 18 anos, desistem do futebol”, destacou no programa Alta Definição da SIC. “A distância da minha família foi o mais difícil, tanto que chegava a pensar: ‘Será que vale a pena estar aqui?’ Agora, olhando para trás, é bom ver que, às vezes, temos mesmo de passar por momentos menos bons. Os meus pais fizeram um sacrifício grande que foi deixar um filho de 12 anos ir atrás do seu sonho. Era mais difícil para eles do que para mim e eles deixaram-me lutar. A vida na Academia, apesar de termos os nossos momentos a socializar, muda tudo. Vamos para a escola até às 17h, depois Academia, a seguir treino das 18h30 às 20h, e, por fim, jantar, ficar ali um bocadinho a conviver e cama. Todos os dias assim. Sabemos o esforço que é e é difícil, mas estamos atrás de um sonho. Tive momentos menos bons que tentei não passar aos meus pais, e houve um momento em que desabafei e chorei com a minha irmã”.

Depois de ter brilhado ao longo de todos os escalões de formação, Rui Patrício estreou-se ainda júnior nos seniores do Sporting, defendendo mesmo uma grande penalidade no triunfo por 1-0 com o Marítimo, e acusou a pressão nos primeiros encontros como titular no conjunto principal. Apesar de alguns erros cometidos, Paulo Bento ganhou a aposta. E assim nasceu aquele que, depois de ter sido fundamental para um inédito sétimo lugar do Wolverhampton na Premier League, levantou a Liga das Nações no dia que o colocou como o guarda-redes mais internacional de sempre, à frente de Vítor Baía. Chave do sucesso? A resistência mental que foi ganhando nas partidas, que o colocaram por exemplo como 12.º melhor jogador do mundo em 2016. Este sábado, na final do Premier League Asia Trophy com o Manchester City, foi também isso que voltou a fazer a diferença.

Depois do 4-0 ao Newcastle com bis de Diogo Jota, o guarda-redes foi o representante da armada portuguesa comandada por Nuno Espírito Santo que mais se destacou frente ao campeão inglês, num encontro onde a equipa de Pep Guardiola (que lançou Bernardo Silva durante o encontro) teve muito mais posse, melhores oportunidades mas não conseguiu marcar ao longo de 90 minutos. Mérito de Patrício. E do seu espírito de sacrifício: depois de ter estado sete minutos a ser assistido no seguimento de um choque com Sterling ainda dentro do primeiro quarto de hora, e quando John Ruddy já aquecia para a entrar, o número 11 ficou em campo com uma visível marca perto do olho direito (e o inchaço foi aumentando com o passar do tempo) e ainda “atrapalhou” o avançado inglês numa grande penalidade pouco depois, que acabaria por sair por cima da trave.

De novo assistido ao intervalo, o internacional regressou ao encontro, cumpriu mesmo os 90 minutos, fez a melhor defesa da final a livre direto de David Silva bem puxado ao poste que manteve o nulo e acabou por decidir no desempate por grandes penalidades depois de já ter sido o melhor ao longo da partida (apesar de não ter havido distinção individual), defendendo três das cinco tentativas dos citizens (3-2). Diogo Jota, João Moutinho, Rúben Neves, Rúben Vinagre e Roderick Miranda foram os outros portugueses do Wolverhampton envolvidos no encontro deste sábado – com a curiosidade de Moutinho ter agarrado na taça para tirar uma imagem de “família” entre todos –, ao passo que Bernardo Silva foi lançado por Guardiola na segunda parte.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: broseiro@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)