Os sociais-democratas que dirigem o Governo da Roménia indiciaram esta terça-feira a primeira-ministra Viorica Dancila para desafiar o chefe de Estado cessante Klaus Iohannis na eleição presidencial de novembro, uma decisão arriscada para um partido com a popularidade em baixa.

“Penso que a Roménia poder ter pela primeira vez uma Presidente”, e o Partido social-democrata (PSD) é “a força” necessária “para vencer este escrutínio mesmo que parta numa situação difícil”, declarou Dancila no decurso de uma conferência de imprensa em Bucareste.

Esta antiga eurodeputada, 55 anos, recusou inicialmente candidatar-se a estas eleições, por considerar não ser a “locomotiva” que o seu partido necessitava. Mas as sondagens encomendadas pelo PSD demonstraram que permanecia a candidata da esquerda mais bem colocada para disputar a Presidência.

O PSD, que tem praticamente hegemonizado a vida política desde a queda, julgamento sumário e execução de Nicolae Ceausescu e sua mulher Elena em dezembro de 1989, arrisca-se pela primeira vez em 30 anos a não conseguir alcançar a segunda volta das presidenciais, segundo diversos analistas.

O partido no poder está a ser penalizado pela controversa reforma do sistema judicial efetuada após o seu regresso ao poder em 2016.

Destinada a proteger de inquéritos judicias os eleitos suspeitos de corrupção, segundo a oposição, esta reforma suscitou fortes protestos na Roménia e veementes críticas de Bruxelas. O país aderiu à União Europeia, juntamente com a vizinha Bulgária, em janeiro de 2007.

Os sociais-democratas já registaram um duro revés nas eleições europeias de maio, ao serem derrotados pelo Partido nacional liberal (PNL) (centro-direita) de onde provém Klaus Iohannis.

Ao assegurar ter entendido a mensagem dos romenos, Dancila empenhou-se nas últimas semanas a “não tocar mais na justiça”, distanciando-se de Liviu Dragnea, o ex-homem forte da social-democracia local. Em prisão efetiva por corrupção desde o final de maio, é considerado o mentor das medidas que, segundo os críticos, ameaçam o Estado de direito e a independência dos magistrados.

Segundo as sondagens, Iohannis deverá garantir um segundo mandato na sequência de um escrutínio com a primeira volta prevista para 10 de novembro.

Caso Dancila não consiga mobilizar o eleitorado de esquerda, o chefe de Estado poderá enfrentar na segunda volta, duas semanas mais tarde, um outro candidato de centro-direita, Dan Barna, da recente Aliança 2020 USR-PLUS.