O calor que se faz sentir na Quinta da Atalaia, no Seixal, não desmobilizou os comunistas presentes na 43.ª edição da Festa do Avante! que receberam o secretário-geral do partido sob um coro de aplausos na abertura da icónica festa comunista, desta vez – ainda por cima – em tempo de pré-campanha eleitoral.

E foi mesmo para as eleições de outubro que Jerónimo de Sousa apontou, mais concretamente contra a maioria absoluta do Partido Socialista: “O voto na CDU conta, e conta bem, para impedir a maioria absoluta do PS”. Depois de um amistoso frente-a-frente com o António Costa no início da semana, o PCP começa agora uma campanha mais acérrima para a próxima legislatura.

Não deixando de lado críticas ao PSD e CDS que, afirma, têm “adiado os planos para assaltar os direitos e rendimentos dos trabalhadores, reformados, pequenos e médios empresários, serviços públicos de saúde, educação, transportes e cultura”, o líder do PCP insistiu que a CDU era também uma alternativa viável para impedir a maioria absoluta do PS algo que, considera, o PSD e o PS têm “tentado ocultar”.

Enquanto Jerónimo de Sousa erguia as bandeiras das conquistas conseguidas pela “geringonça” na legislatura, os apoiantes agitavam as bandeiras coloridas do PCP e da CDU, colorindo o recinto da festa. Num discurso breve, que foi sendo interrompido com alguns aplausos — nomeadamente nos momentos de críticas à lei laboral e às alterações nos manuais escolares nas escolas — o secretário-geral comunista respondeu ainda aos que dizem que a festa do Avante “está verde”, como na fábula da raposa e das uvas. A raposa diz que as uvas estão verdes apenas porque não as consegue alcançar. “Está verde e não presta porque não a conseguem fazer em nenhuma circunstância”, disse Jerónimo de Sousa, agradecendo aos presentes a moldura humana construída em mais uma edição da festa, a primeira sem a presença de um dos históricos rostos da organização, Ruben de Carvalho.

Aos jornalistas, Jerónimo de Sousa disse que estará “quase de certeza” no próximo ano, enquanto secretário-geral do partido, e que o reforço da bancada da CDU irá impedir o PS de “recuar” já que, frisou, “o PS não mudou, mudaram as circunstâncias”.

“O PS não abdicou de alguns traços, viu-se com as PPP, o Novo Banco, o Banif. Sempre, mas sempre que precisou, encontrou o pronto socorro do PSD e CDS”, afirmou.