Jack Ma, um dos fundadores da “gigante” chinesa do e-commerce Alibaba, vai cumprir com o que tinha prometido: celebra esta terça-feira 55 anos de idade e vai aposentar-se. Ma, um professor que transformou a Alibaba numa das empresas mais valiosas do mundo, avaliada no equivalente a 460 mil milhões de dólares, é um dos homens mais ricos do mundo e o mais rico do seu país.

O CEO da Alibaba tinha anunciado em setembro do ano passado que iria se reformar quando completasse os 55 anos, para dar lugar aos “mais novos” e “mais talentosos”. Agora, vai focar-se na filantropia em áreas como a educação, os direitos dos animais, a economia ambientalmente sustentável e a igualdade entre homens e mulheres. A festa anual da Alibaba, este ano, vai acontecer num estádio de proporções olímpicas na cidade onde a companhia nasceu, numa garagem, em Hangzhou. Foi em 1999.

Segundo explica a CNN, o empresário, que faz parte do Partido Comunista chinês, deixa o cargo de CEO (presidente-executivo) da empresa que ajudou a fundar, mas vai manter-se na administração, ao lado de mais 35 pessoas, onde terá direito a nomear a maioria dos futuros líderes da gigante chinesa, onde mantém uma participação acionista de 6,22%.

Professor de inglês no início da carreira, Jack Ma sempre defendeu a importância da educação na sociedade. “Antes de eu chegar aos 70 anos, posso fazer coisas em outros campos, em áreas como a educação”, disse Ma num evento da Alibaba em setembro de 2018.

Esta terça-feira, dia do seu aniversário, é, também, dia dos professores na China.

Na China, Ma é uma referência, visto como o maior empresário de sempre: algumas pessoas colocaram fotos suas na parede das suas casas, fazendo-lhe uma homenagem equivalente à que é feita ao Deus da Fortuna, conta o The New York Times.

Este é o empresário que causou polémica internacional quando defendeu que era uma “benção” ter uma rotina de trabalho de 12 horas por dia, seis dias por semana. Mais tarde, num encontro com Elon Musk (fundador da Tesla e SpaceX) alterou essa perspetiva e defendeu que, graças à evolução tecnológica, as pessoas não deviam trabalhar mais do que três dias por semana, quatro horas por dia.

“Os professores querem sempre que os seus aprendizes os superem”

“Os professores querem sempre que os seus aprendizes os superem. Então, aquilo que é responsável fazer, da minha parte, é permitir que as pessoas mais novas e mais talentosas assumam os papéis de liderança”, enfatizou Ma. Para isto, é importante ter presente que a futura geração não será capaz de competir com novas tecnologias como a robótica e a inteligência artificial. “Se não mudarmos a forma como ensinamos, em 30 anos estaremos com problemas” — é necessário, defendeu, ensinar sobre pensamento crítico, valores e trabalho em grupo.

Em relação à igualdade de género, Jack Ma desde 2015 promove uma conferência anual sobre mulheres e negócios. Até ao momento, já contou com a presença de Arianna Huffington, escritora e fundadora do jornal The Huffington Post, e Vera Wang, ex-editora da revista Vogue, além de ter recebido uma declaração por vídeo de Rihanna. “Se quer que o seu negócio tenha sucesso, é necessário ter líderes mulheres”, disse Ma. Na equipa sénior de líderes da Alibaba, quase metade dos quadros são mulheres.

A reforma de Ma acontece numa altura em que o governo chinês aumentou o seu controlo sobre as empresas privadas do país, pelo que alguns analistas leem aqui uma possível retaliação. O empresário recusou esses comentários, descrevendo-os como “rumores”: “Ninguém pode [retirá-lo] caso não queira sair, certo? Eu sei que isto não tem nada a ver com o governo ou a política”, completou Ma numa conferência.

Duncan Clark, escritor do livro “Alibaba: The House That Jack Ma Built” (Alibaba: A casa que Jack Ma construiu, em português), disse a CNN que o empresário sempre quis “difundir suas perspetivas e experiências nos negócios em lugares como a África”. “Para evitar ser um Ícaro é preciso não voar muito próximo do sol, mas também não ir de encontro com as ondas. Ou seja, é preciso continuar a ser ambicioso. A filantropia, a educação, o ambiente — ainda há muito espaço para [Ma] crescer essas são áreas em que o governo será tolerante, ou até encorajador”, disse Clark à transmissora norte-americana.