O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta segunda-feira no Twitter que iria à Catalunha “visitar os agentes feridos nos distúrbios violentos”. Sánchez enviou também uma carta ao presidente da Generalitat, Quim Torra, a lembrar que papel deveria assumir enquanto governante: “Condenar categoricamente a violência, apoiar as forças de segurança que a combatem e evitar a discórdia civil”. No entanto, não se encontrou pessoalmente com ele.

A visita do primeiro-ministro espanhol, que durou apenas umas horas, não estava na agenda oficial, evitando que os independentistas em protesto pudessem preparar uma manifestação contra a sua presença. O que não evitou, no entanto, que tivesse ouvido buzinadelas e gritos à chegada à sede da Polícia, noticiou o jornal El País. Mas foram os apupos por parte dos profissionais de saúde e os gritos “Presos políticos pela liberdade” que fizeram o primeiro-ministro abandonar o hospital onde se encontravam os agentes feridos, referiu o jornal El Mundo.

Antes da visita, Sánchez tinha enviado uma carta a Quim Torra. “Permito-me recordar-lhe que o primeiro dever de qualquer responsável público é zelar pela segurança dos cidadãos, assim como de qualquer espaço público ou privado, contra as condutas violentas. O segundo dever é preservar a convivência entre todos os integrantes da sociedade civil e evitar a fratura da sua comunidade”, escreveu o primeiro-ministro. “A sua conduta tem sido, nos últimos dias, justamente no sentido contrário.”

Carta do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao presidente da Generalitat, Quim Torra (fonte El País)

Carta do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ao presidente da Generalitat, Quim Torra (fonte El País)

Como resposta, o presidente do governo catalão convidou o primeiro-ministro para uma reunião durante a visita desta segunda-feira a Barcelona. Mas Sánchez não se quis encontrar com Torra, como já tinha rejeitado falar com ele ao telefone durante o fim de semana. E assim deverá permanecer até que o presidente do governo da Catalunha condene os atos de violência.

Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior, numa entrevista à rádio Cadena SER, também já tinha condenado a atitude do chefe do governo catalão: “O presidente deveria fazer uma condenação taxativa, sem rodeios. É o que se pede ao representante máximo do Estado na Catalunha. Um apoio efetivo dos corpos de segurança.”

Depois de uma semana de confrontos entre os manifestantes e as forças de segurança, Fernando Grande-Marlaska disse, este domingo, citado pelo jornal espanhol El País, que 288 agentes tinham sofrido ferimentos nos distúrbios e 194 pessoas tinham sido detidas, 70 das quais foram presas.

Esta segunda-feira de manhã, não havia estradas nem ruas cortadas em Barcelona ou na Catalunha.

Atualizado às 14 horas, depois de Sánchez sair de Barcelona