O Governo germânico apelida-os de “bónus ambientais”, mas no fundo trata-se de incentivos à compra de veículos eléctricos, com o argumento que são menos poluentes. Para aumentar a procura deste tipo de veículos, mais caros do que os seus concorrentes com motores de combustão, o executivo de Angela Merkel decidiu aumentar a comparticipação do Estado em valores que podem atingir 6.000€. Mas os fabricantes alemães vão pagar metade da “conta”.

O investimento, por parte dos fabricantes, pode parecer brutal, mas a realidade é que sem ele esses mesmos fabricantes estariam expostos a multas elevadíssimas, pela dificuldade em cumprir as limitações de 95 g de CO2/km impostas pela União Europeia. Daí que tudo o que leve os consumidores a adquirir eléctricos, o que ajuda a baixar o valor médio das emissões da gama, seja extremamente benéfico para as marcas alemãs.

Durante a cerimónia do arranque da produção do VW ID.3, na fábrica de Zwickau, que irá produzir 100.000 veículos em 2020 e aumentar para 330.000 a partir de 2021, Merkel anunciou que iria criar 1 milhão de postos de carga para automóveis a bateria até 2030, prevendo um investimento global de 3,5 mil milhões de euros até 2035.

A Alemanha já é hoje o segundo maior mercado europeu para veículos eléctricos a bateria, logo atrás da Noruega, que ultrapassará em breve, depois dos incentivos agora anunciados já para o próximo mês.

Merkel não está apenas preocupada em resolver o problema dos fabricantes, apesar da economia depender exageradamente da respectiva performance, tal o seu peso na sociedade. O executivo alemão quer também evitar ser controlado pelos americanos e chineses, para o que necessita de uma indústria forte e independente, o que supõe ser capaz de produzir carros eléctricos, mas igualmente baterias, tanto ao nível das células como dos packs. E só com um grande volume de vendas tal objectivo é alcançável.