A RTVE não irá lutar pelos direitos de transmissão da Supercopa de Espanha que será disputada na Arábia Saudita no início de janeiro, alegando razões humanitárias após as denúncias de violação dos direitos humanos no país, noticia a imprensa espanhola esta quinta-feira.

A competição de futebol realizar-se-á na cidade de Yeda, com a participação de quatro equipas, Barcelona, Real Madrid, Valência e Atlético de Madrid.

A sociedade pública de rádio e televisão espanhola, citada pelo El País, esclareceu que esta é uma “decisão baseada na coerência”, tendo em conta que a RTVE aposta no desporto feminino e “a Arábia Saudita é um país que não respeita os direitos humanos e, em particular, os direitos das mulheres”.

“Se na RTVE apostamos no desporto feminino, o que fazemos num país onde as mulheres são presas por defenderem os seus direitos?”, censurou a RTVE.

Após ser conhecido que a Supercopa de Espanha seria disputada na Arábia Saudita, vários organismos como a Amnistia Internacional recordaram à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) “o histórico de violações de direitos humanos” do país árabe, que incluem “o uso generalizado da pena de morte ou da tortura”, bem como “a discriminação das mulheres e as restrições à liberdade de expressão”.

A respeito destas declarações, o Presidente da RFEF insistiu que “o futebol pode servir de ferramenta social e de mudança”, defendendo o evento como “uma medida ideal para que as mulheres acabem por ter os mesmos direitos que os homens”.