O Supremo Tribunal indiano expressou a sua condenação aos governos locais dos vários estados no país que, diz, “falharam repetidamente em abordar o assunto da poluição” defendendo que “as pessoas têm o direito constitucional de viver livres de poluição”, avança o The Guardian.

Segundo o jornal, as autoridades locais têm de garantir ar e água puros às populações e se não o fizerem podem ter de pagar indemnizações às pessoas.  O tribunal deu-lhes, para já, seis semanas para explicarem por que razão não devem ser responsabilizados pelos elevados níveis de poluição que se têm registado em várias cidades indianas, resultado do “fracasso no cumprimento de suas obrigações”.

Os governos locais dos estados Punjab, Haryana, e Uttar Pradesh são alguns dos exemplos que os juízes destacaram e que podem ter que compensar os milhões de habitantes que sofrem os efeitos da poluição.

São os juízes que afirmam que a Índia “se tornou motivo de chacota”. “O governo é incapaz de fornecer água e ar limpos à população na capital. Qual é o objetivo de todo este desenvolvimento? Qual é sentido de ser uma potência mundial?“, questionou um dos juízes antes de acrescentar que há pessoas que preferem “explodir-se” a morrer vítimas de doenças provocadas pela poluição, como o cancro.

Esta decisão do Tribunal surge depois de outra que dava ordem para que as queimadas fossem suspensas, de forma a minorar a emissão de fumos poluentes na zona. De acordo com o jornal, os juízes expressaram “indignação” pela ordem anterior ter sido ignorada pelos governadores locais.

Esta semana as autoridades de Nova Deli começaram a utilizar armas antifumo que “borrifam água no ar” para tentar reduzir os níveis de poluição. Está também a ser explorada uma proposta para substituir os combustíveis fosseis por opções que incluam hidrogénio.