“Esta manhã, consegui escapar-me com sucesso para Madrid! Acho que ninguém me viu… De qualquer forma, é ótimo estar em Espanha!”

Uma pessoa mais desatenta poderia julgar que Greta Thunberg tinha conseguido elaborar um plano secreto para fugir à atenção da imprensa. Nada disso. A adolescente sueca de 16 anos, que se dirigia para a cimeira sobre alterações climáticas (COP25) onde vai participar em mais uma Marcha pelo Clima, estava a ironizar. A acompanhar a frase, publicou no Twitter um vídeo com uma multidão de jornalistas a fotografá-la e a filmá-la.

Esta sexta-feira a Marcha pelo Clima, um movimento que começou com uma greve solitária de Greta, todas as sextas-feiras, à frente do parlamento sueco, tem lugar em Madrid, à margem da COP25, sendo esperadas dezenas de milhares de participantes. A jovem ambientalista Greta Thunberg chegou a Madrid durante a manhã, depois uma viagem de 10 horas a bordo do Lusitânia Comboio Hotel, o comboio noturno que liga Lisboa à capital espanhola.

Viajaram no comboio cerca de trinta jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara de vários países que embarcaram no comboio em Lisboa para cobrir a viagem de Thunberg. O interesse mediático em Lisboa já tinha sido grande e vai continuar a ser em Madrid onde a ativista tem agendado a participação numa série de eventos.

A ativista rejeita viajar de avião devido às emissões de gases poluentes associados e, depois de afastar a possibilidade de se deslocar num veículo elétrico e receber ofertas inéditas, como a de cobrir os 625 quilómetros que separam as capitais ibéricas por burro, decidiu-se pelo comboio, apesar de a linha não estar eletrificada na totalidade do seu percurso.

Em Madrid, Greta Thunberg vai participar na Marcha pelo Clima depois de dar uma conferência de imprensa, juntamente com outros membros do movimento das FridaysForFuture e Juventude pelo Clima. Segundo os organizadores da manifestação, deverão participar “mais de cem mil” pessoas de todo o mundo para “desmascarar a hipocrisia” dos governos que há 25 anos se reúnem sem sucesso para contrariar as alterações climáticas.

A Marcha pelo Clima e uma cimeira social que começa no sábado vão dominar a agenda paralela à 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começou em 2 de dezembro e vai prolongar-se até 13 de dezembro em Madrid.

A manifestação começa às 18h (17h em Lisboa) em Atocha, perto do centro de Madrid, e depois de percorrer uma parte de A Castelhana, a maior e mais importante avenida da capital espanhola, termina na zona dos Novos Ministérios.

Na marcha, que deverá contar com a coordenadora do BE, Catarina Martins, e o líder do PAN, André Silva, está prevista a presença de representantes de diversas organizações ambientalistas portuguesas.

Greta Thunberg, que durante o último ano ganhou protagonismo e se tornou uma das caras mais conhecidas no movimento internacional que exige ação contra as alterações climáticas, será uma das pessoas que irá discursar a partir das 20h na zona em que termina a manifestação e em que também haverá “espaços” de música, poesia, e outros eventos de animação cultural.

A agenda da ativista também inclui a sua participação, segunda-feira, no evento “Crianças e jovens perante as Alterações Climáticas”, acompanhada da ministra da Educação espanhola, Isabel Celaá, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e a diretora executiva da Unicef, Henrietta H. Fore.

Todos estes eventos são realizados à margem da Cimeira das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas conhecida como COP25 que foi transferida de urgência, em 1 de novembro para Madrid, depois de o Chile ter anunciado que renunciava à sua organização, devido à contestação social sem precedentes no país.