À luz da ciência, foi um eclipse solar anelar. A 26 de dezembro, cumprindo o bailado dos astros uns em redor dos outros, a Lua alinhou-se entre a Terra e o Sol e ocultou a luz que nos chega da estrela-rainha. Como está próxima da fase de apogeu, quando fica mais distante do Planeta Azul, em Terra via-se uma Lua coroada por um “anel de fogo” que mergulhou os 118 quilómetros entre a Arábia Saudita e Guam numa penumbra semelhante à da madrugada.

Em terra, no entanto, este foi um fenómeno especial. E não apenas porque os eclipses solares são raros — e um destes, com direito a anéis brilhantes à volta da Lua, mais ainda — ou porque foi o último da década. Em alguns cantos do planeta, além da beleza astronómica do evento, as crenças divinas impregnam neles um significado mais particular. E as imagens na fotogaleria mostram isso mesmo.

No Paquistão, por exemplo, as imagens mostram crianças enterradas até ao pescoço no areal de uma praia em Karachi porque, para algumas famílias, acredita-se que cumprir esse ritual durante um eclipse solar é uma oportunidade para purificar as almas. Na Indonésia, os muçulmanos juntaram-se numa mesquita na vila de Tangunan, para orarem juntos ao eclipse — Salat al-Qusuf, assim se chama a prece.

Em Surabaya, também na Indonésia, outro grupo de muçulmanos juntaram-se numa mesquita para orarem os salás habituais voltados para Meca, mas com um detalhe especial: havia um ecrã gigante no centro do salão que emitia em direto o fenómeno astronómico que se vivenciava na rua. Na Índia, na cidade de Allahabad, os hindus tomaram banho no rio por temerem que o eclipse seja prejudicial a Surya, deus do Sol.

Em todos estes países houve telescópios espalhados pelas ruas para permitir à população assistir ao eclipse solar em segurança. Houve quem preferisse os típicos óculos com filtros e quem escolhesse as radiografias antigas para acompanhar o momento em que a Lua ocultou boa parte da luz solar. Este último método, no entanto, é prejudicial à saúde e pode ferir irreversivelmente a retina dos olhos.

Quanto a Portugal, um eclipse solar só será visto por estas bandas a 10 de junho de 2021 — e será apenas um fenómeno parcial e muito tímido. O próximo eclipse solar total visível em Portugal será apenas a 12 de agosto de 2026.