Dark Mode Wh poupados com o MEO
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Hoje é um bom dia para mudar os seus hábitos. Saiba mais

Morreu Kobe Bryant, uma das maiores estrelas de sempre da NBA, num desastre de helicóptero

Kobe Bryant, um dos maiores basquetebolistas de sempre, morreu este domingo na Califórnia, num desastre de helicóptero. Uma das filhas do jogador também morreu no acidente. Kobe tinha 41 anos.

i

O norte-americano era casado e tinha quatro filhas

Getty Images

O norte-americano era casado e tinha quatro filhas

Getty Images

Kobe Bryant, um dos maiores basquetebolistas de sempre, morreu na manhã deste domingo em Calabasas, Califórnia, num desastre de helicóptero. Gianna, de 13 anos, uma das quatro filhas do antigo jogador, também estava a bordo da aeronave. O helicóptero privado onde Bryant viajava com outras sete pessoas despenhou-se: não existem sobreviventes do desastre e ao todo morreram nove pessoas, os oito passageiros e o piloto.

As causas do desastre estão ainda a ser investigadas pelas autoridades locais e federais mas a comunicação social norte-americana indica que a pouca visibilidade e a intensa humidade poderão ter tido alguma influência, já que os últimos dias têm sido de muito nevoeiro em Los Angeles. Esta é a hipótese, que segundo a CNN, está a ser equacionada pelas autoridades como a causa do desastre. Kobe Bryant costumava viajar de helicóptero privado quase diariamente para fugir ao intenso trânsito da cidade da Califórnia. Num ponto de situação feito ainda este domingo, as autoridades de Los Angeles indicaram que o resgatar dos restos mortais das nove pessoas vai demorar alguns dias, devido ao local remoto onde o helicóptero caiu, e que a identificação oficial das vítimas só será feita depois disso — recusaram ainda confirmar a identidade de qualquer um dos tripulantes, por considerarem “altamente inapropriado”.

Ainda assim, a comunicação social dos Estados Unidos já começou a adiantar os nomes das restantes vítimas mortais do acidente. Para além de Kobe e da filha Gianna, terão morrido John Altobelli, um treinador de basebol, a mulher, Keri, a filha Alyssa e ainda Christina Mauser, um treinadora de basquetebol. Kobe Bryant era casado com Vanessa Bryant desde 2001 e tinha quatro filhas — a mais nova nasceu em junho, há menos de um ano.

Foram também divulgadas imagens dos destroços do helicóptero em que seguia Bryant:

Kobe Bryant é considerado um dos melhores jogadores da NBA de todos os tempos e o melhor da última geração, interpretado normalmente como o sucessor de Michael Jordan na alta roda do basquetebol norte-americano e internacional. Ao longo de 20 anos de carreira, nunca jogou por outra equipa que não os Lakers, um dado raro e cada vez mais escasso na atualidade. Foi cinco vezes campeão da NBA, duas vezes MVP das Finals, MVP em 2008 e integrou 18 equipas All-Star, um número que só é superado pelas 19 de Kareem Abdul-Jabbar.

[O som da chamada de socorro original logo depois do acidente]

Terminou a carreira há quatro anos, em 2016, ano em que os Lakers anunciaram a retirada dos dois números que usou, o 8 e o 24, algo que nunca tinha acontecido na história da franquia da Califórnia. Em 2018, foi agraciado comum Oscar pela curta-metragem “Dear Basketball”, onde declarava toda a paixão pela modalidade que praticava. Foi até este sábado o terceiro melhor marcador da história da NBA: no dia antes de morrer, foi ultrapassado por LeBron James, também jogador do Lakers, e caiu para quarto numa lista que é liderada por Abdul-Jabbar. No Twitter, enquanto o jogo dos Lakers contra os 76ers ainda decorria e assim que James chegou aos 18 pontos que superavam a sua marca, Bryant felicitou-o e agradeceu-lhe por “continuar a levar o jogo para a frente”, naquela que acabou por ser a última publicação que fez nas redes sociais.

Kobe chegou aos Lakers em 1996, precisamente o ano em que saltou da universidade para a NBA, e foi a 13.ª escolha do draft desse mesmo ano — foi escolhido pelos Charlotte Hornets mas imediatamente trocado para a equipa de Los Angeles depois de impressionar nos testes pré-. Jogava basquetebol desde muito novo, influenciado pelo pai, Joe Bryant, que também foi jogador nos anos 70 e 80 e acabou ter uma carreira de treinador em várias equipas. No ano de rookie, bateu desde logo dois recordes, tornando-se o mais novo de sempre a jogar na NBA, com 18 anos e 72 dias, e ainda o mais novo a integrar um cinco titular, com 18 anos e 158 dias. Teve poucos minutos no primeiro ano mas acabou por ganhar preponderância em 1998, beneficiado também pelas saídas de Eddie Jones e Nick Van Exel, e acabou por assinar uma extensão de contrato no valor de 70 milhões de euros. A chegada do treinador Phil Jackson à equipa de Los Angeles, no último ano do século XX, acabou por funcionar como ponto de viragem e uma alavanca necessária na carreira de Kobe Bryant.

Jackson tinha sido campeão seis vezes com os Chicago Bulls e levou essa mesma mentalidade vencedora para Los Angeles, retirando o melhor da dupla formada por LeBron James e Shaquille O’Neal. Os Lakers foram campeões em três anos consecutivos no início do milénio, em 2000, 2001 e 2002, e assumiram uma hegemonia que catapultou Kobe para a elite do basquetebol norte-americano. Apesar de terem um entendimento acima da média dentro de court, Kobe e Shaquille não se davam bem no balneário e os desentendimentos sobre os papéis que ambos representavam dentro dos Lakers acabaram por motivar a saída do segundo para os Miami Heat em 2004, enquanto que o primeiro voltou a assinar com a franquia. Mais tarde, já reformado, Phil Jackson acabou por escrever o livro The Last Season: A Team in Search of Its Soul, onde abordava os problemas entre os dois jogadores na última temporada em que partilharam o balneário.

Depois de uma segunda metade de década abaixo da média, em que os Lakers não conseguiram voltar a conquistar o título, Kobe Bryant foi instrumental no regresso da equipa ao topo da NBA, alcançando novamente campeonatos consecutivos em 2009 e 2010. Os anos seguintes, os últimos da carreira, foram já marcados por várias lesões e uma inegável inconsistência exibicional — em 2015, num poema publicado no site The Players’ Tribune que tinha como título “Dear Basketball”, o nome que acabou por dar à curta-metragem que realizou, anunciou que iria deixar o basquetebol depois de uma carreira de 20 anos.

“Apaixonei-me por ti. Um amor tão profundo que te dei tudo — desde a minha mente ao meu corpo, ao meu espírito e à minha alma. Enquanto um miúdo de seis anos profundamente apaixonado por ti, nunca vi o fim do túnel. Só me vi a mim mesmo a sair de um (…) Estou pronto para te deixar ir. Quero que saibas agora para que possamos os dois saborear os momentos que ainda temos juntos. Os bons e os maus. Demos um ao outro tudo aquilo que temos. E ambos sabemos, faço eu o que fizer a seguir, que serei sempre aquele miúdo com as meias enroladas, caixote do lixo no canto, cinco segundos no relógio, bola nas mãos. 5, 4, 3, 2, 1…Amo-te sempre, Kobe”, escreveu o jogador.

No último jogo, em abril de 2016 e aos 37 anos, marcou 60 pontos contra os Utah Jazz e tornou-se o mais velho de sempre e atingir esses números na NBA. Mais do que um exemplo dentro de court — que além dos títulos nos Lakers ainda garantiu duas medalhas de ouro olímpicas ao serviço dos Estados Unidos –, Kobe Bryant era também um exemplo fora dele. Tanto a nível pessoal e familiar, longe dos escândalos que acabavam por afetar grande parte dos atletas de primeira água, como num panorama de profissionalismo. A Mamba Mentality, o título do primeiro livro que escreveu, tornou-se um mantra de superação e ambição que comprovava que Kobe, mais do que um dos melhores de sempre, era consensualmente um dos melhores de sempre. “Para resumir o que a Mamba Mentality é, significa basicamente tentar constantemente ser a melhor versão de nós próprios. É isso que esta mentalidade significa. É a constante procura por tentar ser melhor hoje do que éramos ontem”, explicou o jogador.

Barack Obama, antigo presidente dos Estados Unidos e fã confesso de basquetebol, reagiu à morte de Kobe Bryant e foi um dos primeiros a falar do jogador como algo mais para lá do desporto. “O Kobe era uma lenda no court e estava apenas a começar naquilo que teria sido um segundo ato cheio de significado. Perder a Gianna parte-nos ainda mais o coração a nós pais. A Michelle e eu enviamos o nosso amor e as nossas orações à Vanessa e a toda a família Bryant num dia impensável”, escreveu Obama.

Kobe, desde que terminou a carreira, dedicou-se a ser uma figura de união: a aproveitar a opinião positiva consensual de que beneficiava, as boas relações que fomentou e a ideia de que tinha ainda muito para fazer fora do basquetebol. Era parte de uma cultura, era ativista, era impulsionador do desporto feminino. Era, sem qualquer sombra de dúvidas, um dos nomes que se tornou bem maior do que o desporto. Uma ideia também veiculada por Kareem Abdul-Jabbar, outra das estrelas dos Lakers.

[Morte de Kobe “é uma perda brutal”. “Era um herói”. As reações de jogadores de basquetebol portugueses na Rádio Observador. Ouça aqui.]

“A maioria das pessoas vai lembrar-se do Kobe como um atleta magnífico que inspirou uma geração inteira de jogadores de basquetebol. Mas eu vou sempre lembrá-lo como um homem que era muito mais do que um atleta”, disse Abdul-Jabbar num vídeo publicado no Twitter.

Simone Biles, Barcelona, Luka Doncic: as primeiras reações à morte de Kobe Bryant

Começam a surgir as primeiras reações do mundo do desporto à morte de Kobe Bryant. A ginasta Simone Bilas foi uma das primeiras, ao partilhar uma fotografia do basquetebolista com a equipa feminina de ginástica dos Estados Unidos e acrescentar a frase “descansa em paz”. Também o Barcelona e o AC Milan já assinalaram a morte de Kobe, assim como a Chapecoense, clube brasileiro que atravessou uma tragédia semelhante quando em 2016 quase todo o plantel morreu num desastre de avião. Luka Doncic, esloveno que está atualmente nos Dallas Mavericks, também já reagiu, assim como Dwyane Wade, jogador já retirado que foi colega de Kobe na seleção norte-americana. Também Donald Trump também já comentou: “notícias terríveis”, disse o presidente dos Estados Unidos.

Joel Embiid, camaronês dos 76ers que é atualmente uma das grandes promessas da NBA, partilhou no Twitter uma sentida homenagem a Kobe Bryant. “Nem sei por onde começar. Comecei a jogar basquetebol por causa do Kobe depois de ver as Finals de 2010. Nunca tinha visto basquetebol antes disso e essas Finals foram o ponto de viragem da minha vida. Eu queria ser como o Kobe. Estou tão triste”, escreveu o jogador de 25 anos. Já Neymar, depois de marcar o segundo golo do PSG contra o Lille, fez com as mãos o número 24 que era de Kobe Bryant e apontou para o céu. Em frente ao Staples Center, o pavilhão dos Lakers, começam a amontoar-se os tributos ao jogador.

Links promovidos

Recomendamos

Populares

Últimas

A página está a demorar muito tempo.