Os mercados europeus e mundiais viveram esta segunda-feira um dia negro, com milhares de milhões de euros de perdas em capitalização bolsista. Só na bolsa portuguesa as perdas ascenderam aos 2,2 mil milhões de euros, de acordo com as contas do jornal Eco. Foi o pior dia do PSI-20 desde o referendo do Brexit, com uma queda de 3,53%.

As semanas de notícias de dezenas e depois centenas mortes na China relacionadas com o coronavírus (batizado agora como Covid-19) não foram suficientes para afetar de forma substancial as bolsas mundiais, mas o fim-de-semana trouxe dois elementos novos: a Itália confirmou as primeiras mortes na Europa relacionadas com o vírus da China (que já ascendem a seis) e o FMI – pela voz da diretora-geral, Kristalina Georgieva – que “o surto do novo coronavírus coloca em risco a recuperação económica mundial”.

Ao longo do dia, os investidores entraram em pânico, assistindo-se a uma venda em massa de ações e compra de ativos de baixo risco como ouro e dólares norte-americanos. A cotação do ouro estava a subir 1,66% a meio da tarde desta segunda-feira (a 1.670 dólares a onça), a maior subida desde 2013.

Na Europa, a Bolsa de Milão foi uma das mais penalizadas com o índice das principais empresas a derrapar 5,45%. A maior queda foi no entanto verificada na bolsa grega que perdeu mais de 7% do seu valor. Londres também sofreu um trambolhão de 5,8%.

Portugal não foi exceção. O índice PSI 20 desvalorizou 3,53% com todas as principais empresas cotadas a perder valor. A Mota-Engil liderou as descidas, a cair 5,84% para 1,51 euros. Nas maiores descidas do PSI20 ficaram ainda a Nos (5,80% para 3,90 euros), o BCP (5,16% para 0,18 euros), os CTT (5,01% para 2,58 euros), a Sonae SGPS (4,57% para 0,78 euros) e a Ramada Investimentos (4,14% para 5,56 euros).

Com descidas entre 3% e 4% ficaram a Galp (13,74 euros), a Pharol (0,10 euros), a EDP (4,70 euros) e a Corticeira Amorim (10,56 euros). Com descidas menos expressivas, mas ainda superiores a 2%, ficaram a Altri (5,57 euros), a Semapa (11,90 euros), a Jerónimo Martins (16,72 euros), a Sonae Capital (0,76 euros), a REN (2,73 euros), a EDP Renováveis (12,80 euros) e a Navigator (3,07 euros). Só a Ibersol registou uma desvalorização mais baixa (de 0,23% para 8,54 euros).

Alemanha, Espanha e França registaram quedas na casa dos 4%, a mesma variação negativa sentida no Euro Stoxx 50 que reúne as principais empresas europeias.

O risco de arrefecimento na economia global também gerou perdas para o petróleo que caiu cerca de 5% nos mercados de Londres e Nova Iorque. As cotações das companhias aéreas também entraram em queda, afetadas pelo receio de que o surto vai provocar um corte acentuada nas viagens aéreas a nível mundial.

A Easyjet liderou as quedas, caindo mais de 16%, a Ryanair derrapou 13,5% e a Luftahnsa e a IAG (dona da British Airways) a perder mais de 9%.

David Madden, da CMC Markets, ouvido pelo Telegraph, considerou que “a  indústria do turismo está a levar uma sova, graças ao receio dos traders de que vai haver uma enorme queda no número de pessoas a ir de férias, ou em geral a fazer quaisquer viagens. Nas fases iniciais desta emergência de saúde, as companhias aéreas que estão mais focadas na Europa – a easyJet e a Ryanair, ainda se aguentaram, mas agora estão na linha de fogo”.

Do outro lado do Atlântico, o Dow Jones industrial, principal índice da Bolsa de Nova Iorque, seguia a cair mais de 3%. Abriu a perder mais de 1.000 pontos.

Seema Shah, chefe de estratégia da Principal Global Investors, sintetizou: “a reação dos mercados até agora tem sido demasiado complacenete, com algumas bolsas a registarem máximos até na semana passada”.