O surto de coronavírus pode custar a reeleição a Donald Trump, alertam analistas do Goldman Sachs num relatório divulgado na quarta-feira e citado pela CNN.

Segundo o relatório daquele banco de investimento, o surto do vírus que surgiu em dezembro do ano passado na cidade chinesa de Wuhan deverá contribuir para colocar a tónica em assuntos que têm mais potencial para favorecer os votos no Partido Democrata nas eleições presidenciais norte-americanas de novembro.

Além do forte impacto na economia mundial e americana (o surto tem feito afundar as bolsas em todo o mundo e o índice norte-americano Dow Jones registou inclusivamente a maior queda de sempre em pontos num só dia), o surto de coronavírus deverá acentuar as preocupações com o sistema de saúde norte-americano.

“Se a epidemia do coronavírus afetar materialmente o crescimento económico dos EUA, pode aumentar a probabilidade de uma vitória do Partido Democrata na eleição de 2020”, diz o relatório dos analistas do Goldman Sachs.

Para esta conclusão contribuem as previsões de vários analistas de que o surto de coronavírus esteja a aumentar a probabilidade de os EUA entrarem em recessão em 2020.

O economista-chefe da agência de notação Moody’s, Mark Zandi, reviu a probabilidade de os EUA entrarem em recessão durante o primeiro semestre de 2020 em 40% — uma probabilidade até aqui avaliada em 20%.

Uma possível derrota de Donald Trump nas eleições de 2020 está a ser encarada com preocupação pelos mercados financeiros, que têm beneficiado das políticas económicas atuais dos EUA.

Os investidores norte-americanos têm estado, até aqui, particularmente satisfeitos com a possibilidade de Bernie Sanders ser o adversário democrata a candidatar-e contra Donald Trump, uma vez que consideram que Trump ganhará com facilidade a Sanders.

Porém, o Goldman Sachs tem aconselhado os seus clientes a baixar as expectativas nesse sentido, uma vez que tudo indica que Sanders “será competitivo contra o Presidente Trump na eleição”.