Nem todos os clientes necessitam de um veículo eléctrico com habitáculo espaçoso, bagageira a condizer e uma autonomia capaz de garantir alguma independência, pelo menos em relação ao posto de recarga. Há igualmente condutores que preferem abrir mão de alguns destes trunfos, desde que o modelo em causa seja mais apelativo, mais emocional ou mais… da moda, sendo este um critério de escolha tão válido quanto qualquer outro.

Em representação destes eléctricos da moda, com uma estética rétro, figuram o Mini Cooper SE e o Fiat 500e, assumindo-se ambos como as versões alimentadas exclusivamente por bateria de modelos com história e um lugar muito próximo no coração dos condutores que preferem ter um automóvel giro, divertido e com charme. Ao lote dos dois rivais há que juntar um modelo sem passado, com que a Honda se prepara para o futuro, o Honda-e.

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Sacrificando espaço pela agilidade em cidade

Os três modelos são mais pequenos do que os Renault Zoe, Peugeot e-208 e Opel Corsa-e, os utilitários indicados para quem quer optimizar o espaço interior num modelo com cerca de 4 metros de comprimento. Mini e Honda têm dimensões similares, apesar da vantagem do carro japonês (mais 5 cm no comprimento), com o Fiat a ficar um pouco para trás, se pensarmos no tamanho, ou para a frente, se considerarmos a facilidade de encontrar um lugar para estacionar (26 cm mais curto que o Honda).

Já guiámos. O bom e o menos bom do novo Honda e

O 500e é também o mais curto entre eixos (2,32m contra 2,49m do Mini e 2,53m do Honda), mas o facto de possuir uma plataforma específica para eléctrico, ao contrário do Cooper SE que recorre à mesma base para a versão eléctrica, a combustão e híbrida plug-in, permite-lhe oferecer espaço para dois passageiros atrás que parece não diferir muito do Mini. O Honda é o mais habitável, sobretudo para quem vai atrás. Já em termos de bagageira, as três são mínimas e com reduzidas diferenças entre si. O Mini lidera com 211 litros, contra 185 do Fiat e apenas 171 do Honda – resultado que se estranha, uma vez que o citadino japonês recorre igualmente a uma plataforma específica para carros a bateria.

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Potência para brilhar na… cidade

Tendo em conta que estamos perante três modelos destinados maioritariamente à cidade (onde a velocidade máxima ronda os 60 km/h), alimentados por bateria (o que desaconselha vivamente acelerações fortes, para tentar espaçar as visitas ao posto de carga), a potência é importante, mas menos do que se estivéssemos perante um desportivo ou um modelo pensado para favorecer as deslocações em estrada. O Cooper SE, que herda o motor do BMW i3, com 184 cv, é o mais possante, com o 500e a ser o menos potente, com 118 cv. O Honda e fica numa posição intermédia, apesar de oferecer dois níveis de potência, com o Normal a usufruir de 136 cv e o Advance com 154 cv.

Fiat 500 eléctrico arrasa com 320 km de autonomia

Apesar da diferença na potência, os três rivais revelam-se mais próximos entre si no capítulo da velocidade máxima e das acelerações, com o Mini e o Fiat a avançarem até aos 150 km/h, enquanto o Honda se fica pelos 145 km/h. De 0-100 km/h, o Mini supera a fasquia em 7,3 segundos, contra 9 segundos do 500e e outro tanto do Honda-e Normal, com o Advance de 154 cv a anunciar 8,3 segundos.

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Autonomia é trunfo

Nunca é fácil alojar um pack de baterias dentro de um veículo, situação que se complica ainda mais quando estamos perante modelos com reduzidas distâncias entre eixos, exactamente o local onde as baterias têm de ficar instaladas. Daí que seja no mínimo estranho que a marca que tem o veículo mais curto (em comprimento e distância entre eixos) seja precisamente a que consegue acolher o pack mais generoso, como que a provar que a Fiat faz um bom trabalho na concepção desta nova plataforma.

Com 42 kWh de capacidade, o 500e monta mais capacidade de acumuladores do que o Renault Zoe que estava em comercialização até há quatro meses ou a versão mais vendida do Nissan Leaf (estes dois são, tradicionalmente, os eléctricos mais vendidos na Europa, se exceptuarmos a Tesla). E, claro está, bate confortavelmente os dois rivais da Mini e da Honda.

Mini eléctrico pode ser reservado. Já tem preços

Face aos 42 kWh do eléctrico italiano, o concorrente japonês oferece 35,5 kWh, para o britânico se ficar pelos 32,6 kWh. Mas se a vantagem na capacidade da bateria favorece o Fiat (15,5% face ao Honda e 22,4% face ao Mini), a diferença na eficiência parece ainda sorrir de forma mais evidente ao 500e, uma vez que a autonomia que extrai do acumulador é 31% maior do que Honda-e e 27% em relação ao Cooper SE. Na capacidade de carga, o Mini é o único aceitar apenas 50 kW de potência, contra 85 kW do Fiat e 100 kW do Honda,

Quanto a preços e datas de chegada, o Cooper SE será o primeiro a chegar, agendado que está para Maio, sendo igualmente um dos mais baratos, com a versão mais acessível a ser proposta por 34.400€. O Honda-e está previsto para Julho, sendo comercializado por 36.000€ com 136 cv e por 38.500€ com 154 cv. Ao citadino japonês não faltam trunfos (pode ver em cima a nossa opinião sobre o modelo), mas ao ser mais caro e ter menos imagem do que os seus rivais, não terá a vida facilitada. O Fiat 500e chegará ao nosso país apenas no último trimestre do ano e com uma série especial limitada, a La Prima, cheia de equipamento, mas por 37.900€. É provável que as versões mais acessíveis sejam propostas por valores de 32 a 34 mil euros, o que (a confirmar-se) permitirá ao modelo italiano ser bastante competitivo.