“Vamos precisar, e isso parece-me bastante claro pelas muitas discussões que tenho mantido com virologistas, investigadores e especialistas, de muita paciência. E essa é uma virtude que não foi dada a toda a gente”. Dietmar Hopp, o homem do momento que no início do mês era falado como a figura mais odiada da Bundesliga e agora é sobretudo visto como o dono da CureVac que motivou uma disputa entre Trump e Merkel pela vacina para o novo coronavírus, deu uma entrevista ao site oficial do Hoffenheim, clube que detém com 98%, onde falou não só da paragem na Bundesliga mas também do avanço da pandemia global a nível mundial.

“A maioria das pessoas não está muito ciente do meu envolvimento financeiro privado no setor de biotecnologia, apesar de já ter investido cerca de 1,5 mil milhões de euros numa série de startups nesse segmento. Investi na CureVac quando ainda era uma empresa muito jovem porque tinha e ainda tem ideias inovadoras e abordagens científicas no que diz respeito ao desenvolvimento de vacinas. A esperança nessa altura passava por encontrar uma cura para o cancro. Queremos dar uma contribuição para parar uma doença horrível como esta. Essa foi e vai continuar a ser sempre a minha motivação”, salientou, antes de abordar a disputa que houve entre Estados Unidos e Alemanha para garantir o exclusivo da vacina para o coronavírus que está a ser trabalhada.

“Queremos desenvolver uma vacina para todo o mundo e não apenas para um país, para determinadas classes ou para determinadas partes do nosso planeta. Esta vacina, assim que esteja desenvolvida e testada com sucesso, não será um instrumento de especulação ou de poder, vai sim ajudar a conter uma crise global. Esse é o meu desejo em relação a essa situação”, garantiu o germânico que se tornou bilionário ao fundar a SAP SE.

Dietmar Hopp falou ainda da suspensão da Bundesliga, um dos últimos grandes campeonatos europeus que parou e que, ainda assim, esteve perto de realizar uma última jornada à porta fechada no passado fim de semana.

“É uma suspensão absolutamente necessária porque a saúde pública e do público deve estar em primeiro lugar. Não pode nem deve haver nenhum debate sobre isso. O futebol não pode isolar-se da sociedade e por isso não devemos reivindicar qualquer tratamento especial nesta crise absoluta, nesta situação que é excecional. Há inúmeras empresas neste país fechadas e que enfrentam também problemas financeiros mas têm que aceitar as restrições e todas as tensões que se estão a criar. Isso aplica-se também ao futebol. Agora é um momento de solidariedade, um momento onde os mais fortes devem ajudar os mais fracos”, salientou.

“Espero que esta expressão e necessidade óbvia de solidariedade encontre consenso entre todos os protagonistas da Bundesliga. Para o futebol profissional, a questão é simples: como devemos sustentar financeiramente essa expressão de solidariedade por forma a encontrar uma boa solução para os clubes cuja existência é mais ameaçada pelas perdas do que outros clubes com menos problemas. Simpatizo com a ideia de um fundo de solidariedade para combater esta situação excecional, sendo que nenhuma ideia deve ser um tabu aqui. Nós no Hoffenheim teremos uma ideia de como, enquanto clube desta região, podemos contribuir”, acrescentou.