Os governos da Alemanha e dos Estados Unidos estarão a começar uma disputa pelo laboratório que está a tentar desenvolver a vacina para o novo coronavírus. De acordo com o Die Welt, um jornal alemão, Donald Trump terá aliciado a CureVac, a farmacêutica alemã em questão, com “grandes quantias de dinheiro” para garantir a exclusividade dos direitos de uma futura vacina.

Segundo o mesmo jornal, o governo alemão liderado por Angela Merkel está então a tentar impedir que Donald Trump consiga resgatar os direitos de uma eventual vacina — direitos esses que, segundo fonte próxima da Casa Branca citada pelo Die Welt, serviriam para colocar em prática “apenas nos Estados Unidos”. “O Governo alemão está muito interessado em garantir que vacinas e substâncias ativas contra o novo coronavírus também sejam desenvolvidas na Alemanha e na Europa. Nesse sentido, o Governo está em intensa negociação com a CureVac”, afirmou o Ministério da Saúde alemão, em declarações ao jornal. O executivo terá então apresentado uma contraproposta de incentivos financeiros para conseguir manter a investigação na Alemanha, mais especificamente na cidade de Tübingen, no sul do país.

Entretanto, o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, afirmou que a questão irá ser discutida esta segunda-feira no grupo de crise formado pelo governo de Angela Merkel para lidar com a pandemia. Já Richard Grenell, o embaixador dos Estados Unidos em Berlim, disse no Twitter que a reportagem do Die Welt estava “errada”. Por outro lado, Florian Von Der Mülbe, um dos fundadores e diretor de produção da CureVac, explicou que o laboratório tinha começado testes com vários tipos de vacinas e estava a selecionar as duas mais promissoras para arrancar com os testes clínicos. Segundo Von Der Mülbe, a expectativa da farmacêutica é ter uma vacina experimental pronta até junho ou julho para pedir a aprovação de agências reguladores e iniciar os testes em humanos.

No site oficial, a CureVac confirma que, no dia 2 de março, o CEO da empresa foi convidado pela Casa Branca para “discutir estratégias e oportunidades para o rápido desenvolvimento e produção de uma vacina para o coronavírus” com Donald Trump e Mike Pence e vários membros da taskforce criada pelo governo norte-americano para combater a pandemia. Contudo, não avança quaisquer detalhes sobre a conversa — ainda que a CureVac, que trabalha diretamente com o Instituto Paul Ehrlich e com o Ministério da Saúde alemão, já tenha afirmado oficialmente que não pretende vender qualquer investigação que tenha em mãos.