Espanha atingiu um novo máximo de mortos por Covid-19 num só dia, naquilo que as autoridades esperam ser o pico de casos no país vizinho. De acordo com o relatório oficial, divulgado no final da manhã desta sexta-feira, nas últimas 24 horas morreram 769 pessoas.

O número de contagiados subiu assim para um total de 4.858, naquilo que foi um aumento diário de 18,8%.

Em conferência de imprensa esta sexta-feira ao final da manhã, o diretor do Centro de Coordenação de Emergências Sanitárias, Fernando Simón, confirmou aquilo que já tem dito nos últimos dias: este pode ser o pico da crise em Espanha.

“Dá a sensação de que estamos a aproximar-nos do tão desejado pico”, disse.

Embora o número de mortes tenha atingido um novo máximo absoluto esta sexta-feira em Espanha, Fernando Simón desvalorizou esse dado, preferindo antes olhar para a dinâmica dos últimos dias. “Há sempre uma variabilidade diária. O que importa é olhar para a tendência. Em termos percentuais, este aumento não é maior do que nos últimos dois dias. Não há um significado específico neste pequeno aumento em relação a ontem”, disse.

Descida de novos contágio dá “uma certa esperança”

Centrando-se ainda na tendência que demonstram os números, Fernando Simón deixou algum espaço para otimismo também quanto aos novos casos, que estão a descer de dia para dia. De acordo com o último boletim, o número de contagiados subiu em 7.871, elevando a contagem total para 65.049. É uma subida de 13,8%.

“A subida de casos de hoje foi inferior à dos dias anteriores”, sublinhou Fernando Simón. “Existe uma tendência para os números baixarem, mas temos de ser prudentes porque pode dar-se o caso de não estar a haver notificações”, disse, em alusão aos casos de pessoas que podem estar doentes com Covid-19 sem estarem diagnosticadas. Ainda assim, disse que estes números dão “uma certa esperança”.

Seja como for, nos próximos dias, a tendência poderá ser de um aumento do máximo de mortos a cada dia, tal como aconteceu esta sexta-feira. “A descida dos números de transmissão não vai ser acompanhada por uma descida da carga no sistema de saúde, que vai, antes pelo contrário, aumentar nos próximos 3 a 5 dias depois do início da queda do número de contágios”, explicou. “Temos de fazer um esforço neste momento.”

O boletim desta sexta-feira confirmou também que já há 9.357 e que continuam hospitalizadas 36.293 pessoas.