O Real Madrid chegou a acordo com os atletas para uma redução salarial de 10% face às perdas significativas motivadas pela pandemia. Para além dos jogadores de futebol da equipa principal, também os jogadores da equipa B de futebol, da equipa principal de basquetebol, os treinadores dessas três equipas e os principais executivos do clube concordaram com a medida.

Os 10% iniciais, acordados durante uma reunião esta quarta-feira em que Sergio Ramos representou os atletas e o diretor-geral José Ángel Sánchez representou a direção do clube, são aplicados caso as temporadas 2019/2020 de futebol e basquetebol recomecem. Em cenário de cancelamento das épocas e de não se voltar a jogar em qualquer uma das modalidades, a percentagem de redução salarial sobe para 20%. Segundo o jornal Marca, 10% de cortes salariais significa que o Real Madrid guarda 50 milhões de euros nos cofres, sendo que 20% de redução, de forma lógica, eleva esse número para os 100 milhões de euros.

Jogadores do Barcelona cortam 70% do salário. Mais até, porque vão dar mais uma parte para os funcionários terem 100%

A direção merengue iniciou os primeiros contactos com jogadores e equipas técnicas no final da semana passada, numa tentativa de abordar a disponibilidade para uma reunião por vídeoconferência para acertar todos os pormenores. O objetivo do Real Madrid — que tem tido como principais quebras orçamentais, como todos os clubes, a perda de receitas de publicidade, marketing, merchandising e entradas no museu do Santiago Bernabéu — é não colocar em causa os salários dos restantes funcionários, uma rede superior a 800 elementos.

Ainda que os principais jornais desportivos espanhóis indiquem que todos os envolvidos estavam desde a primeira hora disponíveis para reduzir os respetivos salários e ajudar a sobrevivência financeira do clube, a verdade é que pelo menos um mostrou-se contra a decisão de forma pública. Toni Kroos, internacional alemão, disse em declarações à rádio alemã SWR Sport que a redução salarial “não serviria para nada” e que seria “um donativo” para os clubes, sugerindo que os atletas pudessem receber por inteiro e decidir doar o valor que quisessem, ajudando dessa forma ao combate da pandemia.