A região Norte continua a ser a mais afetada pela pandemia da Covid-19, com um total de infetados muito superior ao de todas as restantes regiões do país juntas: são agora 8.102 casos confirmados a Norte enquanto a soma das restantes regiões não chega aos 6.000 (5.854). O crescimento do números de casos nas últimas 24 horas foi de 6,2%, um aumento bruto de 815 casos, segundo os dados do boletim epidemiológico da Direção-geral da Saúde desta quinta-feira.

Os dados mais preocupantes chegam dos Açores: nas últimas 24 horas, o número de infetados aumentou 30%, uma percentagem que há muito tempo não se verifica nas contas nacionais (níveis de crescimento de 30% dariam a Portugal a tão temida curva exponencial). Ainda que em números absolutos os Açores sejam a segunda região com menos casos, logo depois da Madeira, o crescimento de 30% está muito acima dos 6,2% nacionais. O Norte (9,7%) e os Açores (30%) foram as únicas regiões a registar um crescimento acima da média nacional, com o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Madeira a registarem um crescimento próximo ou abaixo dos 2% e o Alentejo 3,5%.

Em relação ao número de mortos foi registado um número mais baixo em comparação com os últimos dias, tendo perdido a vida em consequência da Covid-19 nas últimas 24 horas 29 pessoas, aumentando o total desde o início da pandemia para os 409. Ainda que o número de mortes continue a ser quase o dobro do número dos recuperados — dando força à teoria do longo tempo de recuperação da doença —, sendo agora 409 mortos e 205 recuperados é de notar que o número de recuperados volta a aumentar. São mais 4,5% de doentes recuperados nas últimas 24 horas.

A análise do Relatório da Direção Geral da Saúde sobre a situação epidemiológica em Portugal desta quinta-feira, dia 9 de abril, pode ser feita através de vários pontos distintos, a saber:

Número total de casos, mortes e recuperados

Ao contrário da tendência dos dois últimos dias, Portugal inverte a tendência de aumento absoluto do número de mortos, com 29 mortos registados nas últimas 24 horas, são menos 11 que na quarta-feira. A subida representa um acréscimo percentual na ordem dos 7,6% (inferior aos 10,1% de quarta-feira e aos 11% de terça-feira ainda que continue a ser superior aos 5,4% de segunda) e leva o número global de vítimas mortais para 409. O aumento número de casos continua a subir ligeiramente, depois de 6% na terça-feira e 5,7% na quarta-feira esta quinta-feira é de 6,2%.

Caracterização dos óbitos

Todos os mortos registados tinham pelo menos 60 anos. Quatro das mortes foram de homens entre os 60 e os 69 anos, outra de um homem da faixa etária entre os 70 e os 79 anos. E só na faixa etária acima dos 80 anos há mortes de mulheres, embora em maior número do que nos homens. A maior mortalidade continua a registar-se na faixa etária acima dos 80 anos, representando 24 das 29 mortes. Destas 24 mortes, 10 são homens e 14 mulheres.

Mantêm-se apenas 14 vítimas mortais com menos de 60 anos em Portugal: já morreram quatro pessoas entre os 40 e os 49 anos (um homem e três mulheres) e 10 entre os 50 e os 59 anos (oito homens e duas mulheres).

Caracterização do número de casos por região

A taxa de letalidade da região centro continua a ser a mais elevada do país, tendo subido inclusivamente desde o boletim de quarta-feira, fixa-se agora nas 5,46%, seguida da região do Algarve com 3,88% e da região Norte com 2,76% já abaixo dos 2,9% da média nacional.

Com os Açores a registarem a primeira morte, apenas o Alentejo e a Madeira se mantêm sem o registo de qualquer óbito. Além da primeira morte, como já vimos, os Açores registam uma percentagem de crescimento de 30%, semelhante à seguida pelo país nos primeiros dias do surto, antes da tomada das medidas de contenção. Há já um cerco sanitário em São Miguel e as autoridades estão a equacionar o segundo no continente. Além de Ovar, pode seguir-se Castro Daire, na região Centro.

Depois dos Açores, foi o Norte que mais cresceu no número de casos, num claro contraste com as restantes regiões do país. Números redondos, o Algarve viu o número de casos aumentar em 3,5%, o Centro em 2,1%, a Madeira em 2% e Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo em cerca de 1%. A norte os números são outros naquela que é a região mais afetada desde a confirmação dos primeiros casos em território nacional: em 24 horas o número de infetados subiu 9,7%.

Número de países e casos importados

O boletim desta quarta-feira, dia 8 de abril, mantém os 45 países de onde Portugal importou casos de coronavírus e que já integravam o relatório anterior. A atualização da DGS dá então conta de um total de 642 casos importados, com mais cinco do que na véspera.

Os novos casos foram importados de cinco países diferentes: Andorra, Brasil, Egipto, Emirados Árabes Unidos e Malta. Espanha é o país de onde Portugal importou mais casos (159), seguida de França (118) e Reino Unido (68). Dos 45 países, 20 registam apenas um caso de importação — Azerbaijão, Cabo Verde, Chile, Cuba, Dinamarca, Indonésia, Irão, Malta, Maldivas, Marrocos, México, Noruega, Paquistão, Polónia, Qatar, República Checa, Singapura, Suécia, Ucrânia e Venezuela.

Número de casos por grupo etário

A faixa etária dos 40 aos 49 continua a ser a mais atingida pelo novo coronavírus, seguida da dos 50 aos 59 anos e logo depois pelos maiores de 80 anos, onde se regista a maior mortalidade.

Nas crianças até aos 9 anos registou-se uma ligeira subida fixando-se agora nos 206 casos, e entre os 10 e os 19 anos são esta quinta-feira 351 casos. Abaixo dos 40 anos, começando nos 20 há 3.457 casos (dos 20 aos 39 anos).

Número de casos internados e nos cuidados intensivos

O número de doentes internados nas enfermarias e nos cuidados intensivos baixou. São menos 38 casos de internamento nas enfermarias e menos quatro casos nas unidades de cuidados intensivos. É um número que contraria a tendência de aumento dos últimos dias, fixando agora o total de internados em 1.173 casos e de 241 doentes nos cuidados intensivos. Ainda que tenha sido uma quebra menor que a do boletim anterior (que registou menos 26 pessoas nos cuidados intensivos), trata-se de uma descida, considerando ainda também que o númerdo de óbitos — que normalmente acontece nestas unidades de cuidados intensivos, em doentes mais críticos — também foi menor que no dia anterior.

Número de casos suspeitos, não confirmados, em vigilância e a aguardar resultados

Há menos 2.102 pessoas à espera do resultado do teste, voltando à tendência quebrada no relatório de ontem, da redução do número de pessoas à espera do resultado do teste. São agora 3.801 os portugueses que aguardam resultados, número que compara com os mais de 5.000 do dia anterior.

Em vigilância pelas autoridades de saúde e obrigados a permanecer em isolamento estão agora 24.708 pessoas, mais 227 que no dia anterior.

Caracterização dos casos por género

As mulheres continuam a registar um número de infeção maior que os homens, são agora 7.994 as mulheres infetadas e menos de 6.000 homens (5.962). Há muito mais mulheres acima dos 80 anos infetadas que homens. São 1.235 as mulheres doentes com mais de 80 anos, enquanto os homens são 703. 15% das mulheres infetadas tem mais de 80 anos, embora a faixa etária das mulheres mais afetada seja a dos 40 aos 49 anos: 18% das mulheres infetadas.

Número de casos por concelho

Lisboa continua a ser o concelho com mais casos: 797, mais 24 que o apresentado no boletim da véspera (num aumento total de 27 casos em Lisboa e Vale do Tejo). Porto (776), Vila Nova de Gaia (631), Gondomar (587) e Braga (521) são os concelhos que se seguem, com Braga a ultrapassar Matosinhos (444).

Caracterização dos casos confirmados por sintomas

Tosse e febre continuam a ser os principais sintomas. Os sintomas apresentados entre os casos de testes positivos (com informação respeitante a 78% desses casos) mantêm-se praticamente inalterados em relação aos últimos dias, com maior preponderância de tosse (58%) e febre (45%), seguidas de dores musculares (31%) e cefaleias (28%). Fraqueza generalizada (23%) e dificuldades respiratórias (17%) são os sintomas com menor taxa de incidência.