Portugal e a Áustria são dois dos países europeus tidos como exemplo no que toca à rapidez com que decidiram tomar medidas restritivas para conter a propagação do novo coronavírus. Segundo o ABC, apesar de Portugal, por exemplo, partilhar a fronteira com Espanha — que se tornou um verdadeiro foco de infeção — por comparação ao número de mortes e infetados com a Covid-19 tomou medidas muito antes.

Mais: o jornal espanhol diz mesmo que o próprio comportamento dos portugueses contribuiu para essa contenção, uma vez que muitas decidiram permanecer em casa mal viram outros países tomarem medidas restritivas e ainda antes de ser declarado o Estado de Emergência no país, a 19 de março — num dia em que se registavam 642 casos  de infeção e duas mortes. Recorde-se que uma semana antes o governo tinha decidido encerrar as escolas, numa altura em que já várias universidades e alguns colégios já estavam a fechar portas, empurrando as famílias para o isolamento profilático.

Áustria tomou a decisão do confinamento depois de Itália e Espanha, a 16 de março, mas com muito menos casos: 1.132 infetados e três mortos. Antes já tinha decidido fechar centros educativos e encerrar as fronteiras com a Itália.

Segundo os peritos consultados pelo ABC, as medidas impostas pelos diferentes governos são determinantes para perceber como se comportou o vírus em cada país, e os dados parecem concluir que nos países em que foram tomadas medidas restritivas, os resultados foram melhores, salientou o professor catedrático Jesús Vioque, especializado em Medicina Preventiva e Saúde Pública, da Universdiade de Miguel Hernandez.

Levantamento feito pela Frontex das medidas restritivas vigentes em cada país

Em Espanha, o estado de emergência foi declarado quando no país se contavam já 4231 casos confirmados com 120 mortos, a 14 de março — quatro dias antes, no entanto, as aulas tinham sido canceladas e os estabelecimentos comerciais fechados em Madrid, o principal fogo da epidemia, no País Basco e na região de Rioja.

Citado pelo ABC, Giles Tremlett, correspondente do The Guardian, aponta vários erros ao governo espanhol antes de declarar o estado de emergência, entre eles a realização de vários eventos desportivos e políticos que concentraram milhares de pessoas.

O Governo italiano liderado por Giuseppe Conte foi, ainda assim, mais rápido que o espanhol, com a declaração do Estado de Emergência logo no dia 31 de janeiro, mal registou os dois primeiros positivos — que eram turistas chineses. No entanto, só um mês depois, a 22 de fevereiro, com 76 infetados e dois mortos, é que várias regiões como a Lombardia foram isoladas. O país só foi completamente fechado quando já registava 7.375 casos e 366 mortes.

Já a França e o Reino Unido atuaram depois de Espanha. O Governo francês tinha 6.500 infetados e 148 mortos. Segundo o Le Monde, 88% dos franceses considera que agiu demasiado tarde.

No Reino Unido, a 12 de março, Boris Johnson — que acabou por contrair a doença — ainda punha em cima da mesa a hipótese da imunidade coletiva. Mas com o número de infetados a galopar até chegar aos 3.983 confirmados, acabou por fechar os bares, restaurantes, parques e escolas, assim como recomendou aos mais vulneráveis para permanecerem em casa. Só quando o país atingiu os 5.687 infetados e os 669 mortos, o governo ordenou que o país entrasse em quarentena. Nesta altura já as projeções da capacidade de resposta do sistema nacional de saúde não eram animadoras e mostravam que podiam colapsar.

“Nós não vamos fechar as escolas agora”. A estratégia inglesa tem sido diferente: irá manter-se?

Na Alemanha, o Governo tomou medidas mais drásticas quando registava 4.838 infetados e 12 mortos (mais infetados que na Espanha, mas com menos mortos). No entanto, comparando com outros países, a Alemanha tem tido uma taxa de mortalidade pelo novo coronavírus mais baixa o que se pode explicar pela quantidade de testes que têm feito.

Esta comparação do ABC, no entanto, não faz a conta ao número de infetados e mortos pelo número de habitantes de cada um destes países.