A 13 de março, Tom Hanks anunciava o diagnóstico no Instagram. Tanto ele como a mulher, a atriz a cantora Rita Wilson, haviam testado positivo para o novo coronavírus e já apresentavam os primeiros sintomas. Viveram a quarentena longe de casa, na Austrália, para onde tinham viajado a propósito da rodagem do filme sobre a vida de Elvis Presley, realizado por Baz Luhrmann. Durante sensivelmente duas semanas, chegaram a ser hospitalizados, dada a gravidade dos sintomas. No final do mês regressaram a casa e há cerca de uma semana, o ator de 63 anos surgiu recuperado a conduzir, a partir de casa, o Saturday Night Live.

Na Austrália há cerca de uma semana, o casal apresentou os primeiros sintomas a 9 de março, e os médicos sempre alegaram que teriam sido expostos ao vírus pela mesma pessoa, mas todos os esforços para identificar a cadeia de contágio foram inconclusivos. “Estávamos no início de março, as pessoas ainda não mantinham distanciamento social. Mas eu já tinha deixado de dar apertos de mão e abraços. Já estava a tomar as minhas próprias medidas. No voo para a Austrália, fui tipo Lady Macbeth — nunca nada estava suficientemente limpo”, recordou Rita Wilson, numa entrevista publicada esta sexta-feira pelo britânico The Guardian.

Tom Hanks e Rita Wilson na última edição dos Óscares © FilmMagic

O novo coronavírus acabou por apanhar até a cuidadosa Rita Wilson, também ela de 63 anos. O casal acabaria por ser internado durante dois dias. “Tínhamos os dois febre alta e extremamente doridos. Perdi o paladar e o olfato, tive problemas de estômago e tremores inacreditáveis. Estava assustada”, conta a atriz e cantora, casada há 32 anos com Tom Hanks, com quem tem dois filhos, Chet e Truman, com 29 e 24 anos, respetivamente.

Os médicos australianos medicaram-na com cloroquina (que não é o mesmo que a hidroxicloroquina defendida or Donald Trump, segundo Wilson fez questão de sublinhar), substância usada no tratamento da malária, mas que alguns países estão a usar em doentes com Covid-19, no seguimento de estudos apontam para uma administração bem sucedida. A febre de Rita desceu, mas os efeitos secundários foram duros. “Náuseas extremas, vertigens, parecia que os meus músculos eram noodles moles, não aguentava mais”, descreveu na mesma entrevista.

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“O facto de termos apanhado o vírus ao mesmo tempo tornou as coisas um pouco mais fáceis”, assinalou Wilson. Após o internamento, o casal voltou ao hotel em convalescença. Fala numa maratona de filmes antigos, jogos de cartas e em “Tiger King”, o último grande êxito da Netflix.

O passatempo seguinte foi reaprender a fazer rap. Ainda fechada num quarto de hotel, gravou um vídeo a interpretar o clássico “Hip Hop Hooray”, dos Naughty by Nature, e publicou-o no Instagram. Quatro minutos que se tornaram virais e geraram uma onda de comentários entre os mais famosos, com Jennifer Aniston e Kim Kardashian incluídas. O sucesso da gravação chegou a Vin Rock, um dos ex-integrantes do grupo. O músico e a atriz trocaram impressões e acabaram por lançar uma versão remisturada do tema com a voz de Wilson. As receitas do tema revertem para o MusiCares COVID-19 Relief Fund.

“É surreal. Estou grata pela música, mais também por não terem achado que isto era horrível. Ainda não nos encontrámos, temos falado ao telefone e estou a gostar bastante de conhecê-lo. Tem sido muito divertido”, revelou Rita Wilson numa entrevista à Rolling Stone publicada esta semana. De volta a Los Angeles, a atriz e cantora falou ainda do trabalho árduo que foi conseguir entender a letra. Com a ajuda do dicionário urbano, desbravou o tema de 1993 — “foi como aprender Shakespeare quando só tinha lido os Ladrões sem Jeito“.