Uma equipa de investigadores, coordenada pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), com o apoio do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, está a desenvolver uma aplicação móvel para rastreio rápido e anónimo das redes de contágio por Covid-19 em Portugal.

Chama-se “Stayaway” e deteta a proximidade física entre smartphones, através de um identificador anónimo, uma espécie de código que é atribuído a cada equipamento. A intenção é a de informar os utilizadores que estiveram em contacto com alguém infetado, nos 14 dias que antecederam o seu teste positivo.

A app não recolhe dados sobre a identidade dos utilizadores dos smartphones ou a sua localização e utiliza apenas o Bluetooth. O processo é semelhante ao que também está a ser desenvolvido pela startup portuense HypeLabs, que já tem a app Covid19 a ser utilizada na Argentina, por exemplo, e ao que a Apple e a Google também estão a criar.

Covid-19. Como funciona a app portuguesa que pode rastrear contactos de forma “privada e anónima”

Segundo o Público e a Rádio Renascença, para que seja eficaz, a app, de uso voluntário e gratuito, tem de ser instalada por pelo menos 60% de utilizadores destes aparelhos em Portugal, estima o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).

“Esta é uma plataforma de uso voluntário que informa os utilizadores de uma ocasião de proximidade, ocorrida nos últimos 14 dias, com alguém confirmado como infetado. É um método que poderá estender e acelerar, preservando o anonimato dos envolvidos, a identificação das cadeias de transmissão que as autoridades de saúde realizam desde o início da pandemia”, explica José Manuel Mendonça, Presidente do Conselho de Administração do INESC TEC e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

A ideia surgiu em março e o processo de codificação arrancou no início de abril. “Cada telemóvel difunde na sua proximidade quem são os identificadores anónimos e armazena localmente os identificadores difundidos pelos telemóveis com quem se cruze. Ainda que absolutamente desprovida de uma relação com os telemóveis que a gerou e, consequentemente, com os utilizadores desses telemóveis, esta informação permitirá ao próprio detetar a sua proximidade com uma pessoa infetada”, explicam os responsáveis em comunicado.

Assim, a pessoa confirmada como infetada com o novo coronavírus poderá publicar online, com a autorização das autoridades de saúde, os identificadores anónimos que partilhou nos últimos 14 dias. Com esta informação pública, a aplicação pode facilmente avaliar autonomamente se nos dias anteriores esteve próximo da pessoa infetada.

A utilização da app é voluntária e não intrusiva. “No caso de uma pessoa que não contraia a doença e que não tenha contacto com nenhum infetado, a única interação que terá com a app será a instalação da mesma no seu smartphone. Mas esta aplicação será tanto mais eficaz quanto maior for o número de utilizadores”, acrescenta José Manuel Mendonça.

Rui Oliveira, membro da administração do INESC TEC, garantiu à Radio Observador que a informação gerada pelos telemóveis não sai dos telemóveis das pessoas e os dados não são enviados para outra unidade, sendo o objetivo do projeto “ajudar a identificar os potenciais contagiados e que estes contactem o Serviço Nacional de Saúde”.

“A aplicação é uma ajuda, mas não resolve por si qualquer problema e traz algumas incertezas, ao não estar isenta de identificar falsos casos positivos.”

O trabalho foi desenvolvido por uma equipa de 18 pessoas e estima-se que a “Stayaway” possa ser disponibilizada até ao final do próximo mês para Android e iOS. “O utilizador apenas tem de a instalar, não sendo necessário, para o efeito, partilhar qualquer tipo de informação pessoal”, sublinham os responsáveis em comunicado.

O uso da aplicação foi mostrada aos ministros da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e à secretária de Estado da Valorização do Interior durante uma visita ao Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Rui Carlos Oliveira, administrador do INESC TEC, disse à Renascença que “só as pessoas que baixarem a aplicação de uma das lojas de aplicações da Apple ou da Google é que poderão participar neste rastreio”, explica.

O funcionamento da app é simples, segundo explicou a equipa portuguesa. Se um dos utilizadores que tenha instalado a aplicação vier a ser diagnosticado com Covid-19, qualquer outro utilizador que tenha estado em contacto com o doente nos 14 dias anteriores recebe uma mensagem de aviso. Para isso, é necessário que o doente autorize um profissional de saúde a partilhar essa informação, o que é feito de forma anónima, explicam o Público e a Renascença.