O ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, considerou este sábado, no Twitter, que a atual crise provocada pela pandemia da covid-19 é uma tragédia humana e defendeu a necessidade de um “poderoso plano” para recuperar a Europa. Também este sábado, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, publicou um vídeo onde os líderes europeus sublinham que “a unidade é o que nos faz mais fortes” – e onde António Costa assinala que a UE é “o maior espaço económico de prosperidade e partilha e é a nossa força para enfrentar os desafios globais”.

Num vídeo colocado na rede social com o ‘hashtag’ “#EuropeDay2020 #StrongerTogether” a propósito da comemoração este sábado do dia da Europa, Mário Centeno afirma que a atual crise é mais que um choque económico. “Mais que um choque económico, vivemos uma tragédia humana e um desafio à nossa forma de vida”, diz Centeno, adiantando que se pode chamar Marshall ao referido plano de recuperação económica, mas que desta vez este tem de ser financiado pela Europa e não por outros.

O plano Marshall foi um programa de ajuda económica dos EUA aos países da Europa Ocidental com o objetivo de os reconstruir depois da II Guerra Mundial. Como muitas vezes no passado, a resposta para os problemas da Europa está na Europa, refere o ministro, adiantando que a solução para a crise vai definir os europeus e formatar a Europa nos próximos anos.

Citando Epicteto, o ministro português, que no vídeo aparece com a Praça do Comércio em Lisboa como pano de fundo, defende que não é o acontece a uma pessoa o que interessa, mas sim a forma como reage ao acontecimento.

Como presidente do Eurogrupo, Mário Centeno liderou o acordo que criou as bases para um pacote de até 540 mil milhões, incluindo empréstimos a juros baixos por parte do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para gastos com saúde. Mas a União Europeia discute, nesta fase, as bases para um plano de recuperação para médio e longo prazo.

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António Costa. UE “é a nossa força para enfrentar os desafios globais”

O dia da Europa comemora-se a 9 de maio para festejar a paz e a unidade do continente europeu. Para assinalar a data, os líderes de todos os Estados-membros colaboraram para criar um vídeo publicado pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Nesse vídeo, António Costa assinala que “a UE é uma comunidade de valores, o maior espaço económico de prosperidade e partilha e é a nossa força para enfrentar os desafios globais”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, aparece no vídeo a sublinhar que o objetivo da Alemanha é que a Europa saia “fortalecida” desta crise provocada pela pandemia. E deixa a garantia: a Alemanha, que assume nos próximos meses a presidência rotativa da UE, não deixará de “cumprir o seu papel”.

A Comissão Europeia alertou na quarta-feira para um “choque económico sem precedentes” comparável à Grande Depressão de 1929, uma recessão “de proporções históricas” causada pela pandemia Covid-19. Estava prometida para essa mesma quarta-feira uma proposta para o famigerado “Plano de Recuperação”, mas esses trabalhos estão a atrasar-se e a perspetiva, agora, é que só em junho esse plano decisivo poderá chegar.

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Numa outra publicação, o primeiro-ministro, António Costa, defendeu que, tal como em 1950, quando foram lançadas as bases para o projeto europeu, “só unida e com uma resposta comum a Europa se poderá reconstruir”.

Na rede social Twitter, António Costa desejou um feliz Dia da Europa, que assinala os 70 anos da histórica “Declaração Schuman”.

“Hoje, como em 1950, só unida e com uma resposta comum a Europa se poderá reconstruir, reforçando-se enquanto Comunidade de valores, espaço de prosperidade partilhada e líder na resposta aos grandes desafios globais”, defendeu o primeiro-ministro.

“Só unida e com uma resposta comum a Europa se poderá reconstruir”, diz Costa

A data para esta celebração foi escolhida porque o estadista francês Robert Schuman avançou com a proposta de uma entidade europeia supranacional em 9 de maio de 1950.

“Crise sanitária e o seu custo é um teste à solidariedade europeia”, diz ministro Defesa Nacional

O ministro da Defesa Nacional, João Cravinho, afirmou, também neste dia da Europa, que a crise sanitária e o seu enorme custo económico é um teste às instituições democráticas e à solidariedade europeia. Numa mensagem de vídeo que assinala “o projeto de paz que a integração europeia proporciona há sete décadas”, o ministro da Defesa Nacional sublinha que “este é um momento em que devemos saber manter os avanços históricos da defesa europeia nos últimos anos”.

“A crise sanitária e o seu enorme custo económico é um teste para todos nós, para as nossas instituições democráticas e para a nossa solidariedade como europeus”, refere João Cravinho, lembrando que o investimento na defesa europeia deve ser, por isso, “mais racional e sustentável, por ser partilhado com os nossos parceiros”, continuando a promover “a inovação, a indústria e a criação de emprego qualificado”.

João Cravinho lembrou na mensagem que Portugal participa, atualmente, em 25 projetos europeus de defesa, liderando dois deles, “com respostas conjuntas e mais eficazes” em relação aos desafios “na gestão do mar ou da ciberdefesa”, bem como perante “contextos de calamidade e emergência”, realidades entendidas como “prioritárias no mundo atual”.

De acordo com o ministro, existem atualmente 17 missões europeias de paz, de um total de 36 implementadas desde 2003, sendo que Portugal encontra-se presente em cinco dessas missões, no Mediterrâneo e em África. “O contributo europeu para a paz é visível”, reforçou João Cravinho, lembrando, igualmente, que a defesa da paz “tem custos elevados”.

O ministro da Defesa Nacional assinalou ainda que neste momento que vivemos é altura de fazer um reconhecimento das forças armadas “que servem muito mais do que para combater guerras”, lembrando a sua “disponibilidade, prontidão e versatilidade inestimáveis nas respostas atempadas que salvam vidas e preservam as instituições nacionais”. João Cravinho evocou ainda a declaração de Robert Schuman, referindo que “a paz mundial não pode ser salva sem esforços criativos proporcionais aos perigos que a ameaçam”.

Desafios atuais são oportunidade para relembrar Europa contrária a nacionalismos, diz MNE

O Governo associou-se às celebrações dos 70 anos da Declaração Schuman, assinalando o Dia da Europa, e diz que os desafios do presente são uma oportunidade para relembrar a construção de uma Europa “contrária a lógicas egoístas e nacionalistas”.

“Os gigantescos desafios do presente constituem uma oportunidade para revisitar o que nos une: a construção de uma Europa democrática, solidária, sustentável, aberta, defensora do multilateralismo, mais justa e coesa e contrária a lógicas egoístas e nacionalistas”, lê-se num comunicado hoje enviado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

O MNE acrescenta que, nesta data, deve-se “recordar a origem deste projeto político, absolutamente único na História, orientado para a paz, para a democracia, para a prosperidade e solidariedade e ao qual a Europa e os seus cidadãos tanto devem”.

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Sublinhando que a Europa e o mundo passam por momentos de grande instabilidade e incerteza, devido aos efeitos da crise sanitária provocada pela pandemia de covid-19, o MNE considera que, agora “mais do que nunca”, é tempo de recordar os valores e princípios nos quais assenta o projeto europeu, como a proteção dos direitos e das liberdades fundamentais, do Estado de direito e da justiça social.

Só assim este projeto faz sentido e foi assim que contribuiu decisivamente para a consolidação da nossa democracia e para a modernização e o desenvolvimento económico e social do nosso país”, refere ainda o comunicado.

Rui Rio avisa que se resposta europeia à retoma falhar vai crescer contestação à UE

O presidente do PSD, Rui Rio, avisou este sábado que se a Europa não conseguir responder “com eficácia e força” à retoma da economia depois da pandemia “estará numa encruzilhada porque vai crescer a contestação ao projeto europeu”.

Num vídeo publicado nas redes sociais do PSD, Rui Rio considerou que “celebrar o Dia da Europa no 9 de maio de 2020 tem uma importância maior do que aquilo que é a celebração tradicional” desta data, uma vez que “este ano a Europa tem um desafio enorme à sua frente” que é a ameaça comum do novo coronavírus.

“Perante aquilo que aconteceu ao mundo e em particular à Europa, a Europa está num momento decisivo. Consegue responder com eficácia e com força aquilo que é a retoma da economia europeia – e no nosso caso particular da economia portuguesa – pós-pandemia e a Europa resolve por muitos e bons anos o problema de ceticismo que existe relativamente ao projeto europeu”, defendeu.

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Jerónimo de Sousa avisa que há em Portugal quem queira “reabilitar o regime fascista”

O secretário-geral do PCP considerou que este sábado que, olhando para o fim da Segunda Guerra Mundial, “melhor se compreenderá a atitude de todos” os que, em Portugal, “pretendem reabilitar o regime fascista” e apagar os valores de Abril.

“Olhando para o significado da data que hoje assinalamos, melhor se compreenderá a atitude de todos os que no nosso país pretendem reabilitar o regime fascista e apagar a atualidade e os valores da revolução de Abril”, refere Jerónimo de Sousa num vídeo divulgado nas redes sociais do partido, a propósito do “dia 9 de Maio de 1945, o dia da Vitória”, em que terminou a Segunda Guerra Mundial.

Para o líder comunista, os 75 anos da “vitória sobre o nazifascismo” assumem “um significado tanto maior quando se torna necessário defender a verdade sobre o que foi e o que representou a Segunda Guerra Mundial, combater tentativas de falsificação da História e retirar ensinamentos para que jamais uma tal tragédia aconteça”.

Atualmente, “numa situação internacional marcada pela crise estrutural do capitalismo”, na perspetiva de Jerónimo de Sousa, “o imperialismo lança-se numa violenta ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, a soberania dos povos e a independência dos Estados, procurando fazer recuar avanços e conquistas sociais e nacionais alcançadas”.

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Há uma justificada crise de legitimidade da União Europeia, diz Catarina Martins

A coordenadora do BE, Catarina Martins, avisou neste sábado que as “cicatrizes da política de austeridade estão muito presentes”, havendo “uma justificada crise de legitimidade” da União Europeia”, cuja utilidade questionará caso não consiga responder à crise pandémica.

Numa mensagem publicada nas redes sociais a propósito do Dia da Europa, Catarina Martins defendeu que “o tempo não é de celebração, mas de exigência”. “Se a União Europeia não conseguir responder a esta crise, serve para quê? Será este o tempo da Europa?”, questiona ainda.

Na perspetiva da líder do BE “as cicatrizes da política de austeridade estão muito presentes e há uma justificada crise de legitimidade da própria União Europeia”.

Adiar a revogação dos tratados que impedem o investimento solidário é repetir a resposta errada à crise financeira de 2007/08, aumentar o endividamento e regressar ao ciclo destrutivo das troikas. Esse caminho não pode ser repetido”, insistiu.
Para Catarina Martins, “a crise pandémica prova a necessidade de reforçar serviços públicos de saúde e todo o Estado Social e torna urgente a reconstrução económica”, mas deixa uma pergunta: “teremos uma resposta europeia?”.

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