O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, disse esta terça-feira que os serviços secretos da Rússia e da Venezuela estão em contacto, após o fracassado golpe que procurou derrubar o regime de Nicolas Maduro. Nos passados dias 3 e 4 de maio, um grupo de mais de 50 mercenários, venezuelanos e norte-americanos, fracassou um ataque marítimo contra o regime do Presidente Nicolas Maduro, em que morreram pelo menos oito pessoas no confronto contra as forças armadas venezuelanas.

Esta terça-feira, Lavrov disse que a Rússia não descarta a possibilidade de ajudar o governo venezuelano nas investigações para esclarecer a origem desse ataque, depois de Maduro ter colocado a hipótese de envolvimento do governo norte-americano, uma versão desmentida pela Casa Branca. “Em relação á investigação da invasão da Venezuela por mercenários encarregados de realizar atos terroristas, sabotando e derrubando o Presidente legítimo, os nossos serviços secretos estão em contacto”, disse o chefe da diplomacia russa, numa videoconferência de imprensa.

No ataque estiveram envolvidos vários mercenários dos EUA, ao serviço de uma empresa que chegou a ser contratada pelo líder da oposição, Juan Guaidó, para prestar consultoria, tendo dois deles sido capturados e detidos pelas autoridades venezuelanas. A Casa Branca já desmentiu qualquer envolvimento do governo norte-americano no ataque e prometeu tudo fazer para trazer os dois mercenários de volta aos EUA.

Lavrov, que reiterou a condenação do ataque, acrescentou que “se um pedido de ajuda nessa matéria (o ataque) for enquadrado nos acordos celebrados (entre Venezuela e Rússia), tal será atendido”. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo explicou que todos os contactos entre o seu país e a Venezuela estão baseados em acordos intergovernamentais, ratificados pelos parlamentos russo e venezuelano.

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Lavrov disse que o mesmo se aplica à cooperação militar entre os dois países, bem como à prestação de serviços ou de equipamento bélico. “São as nossas obrigações contratuais”, concluiu o chefe da diplomacia.

A Rússia é um dos países que reconhece a legitimidade de Nicolas Maduro como Presidente da Venezuela, enquanto um grupo de mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos, legitimam Juan Guaidó, como Presidente interino.