Num decreto com a data desta terça-feira, França suspendeu o uso da hidroxicloroquina ao revogar um outro decreto, datado de 11 de maio, que autorizava a prescrição e administração de tratamentos à base deste medicamento em pacientes com Covid-19.

A decisão foi tomada depois de um parecer desfavorável do Conselho Superior de Saúde Pública e de um aviso emitido pela Agência de Medicamentos (que também anunciou a suspensão de ensaios clínicos com esta substância na última terça-feira), dois importantes organismos franceses na área da saúde. Antes de estes se terem pronunciado, já a revista de medicina The Lancet havia publicado um estudo que atestava a ineficácia da substância, habitualmente usada no tratamento de malária, lúpus e artrite reumatóide.

A hidroxicloroquina é atualmente usada para combater a infeção pelo novo coronavírus nos Estados Unidos, mas também no Brasil, países que continuam a alegar o sucesso da substância no tratamento de pacientes infetados. Em França, a apologia deste medicamente tem um rosto — o virologista Didier Raoult tem sido citado por uns e criticado por outros, dentro e fora do território francês.

Hidroxicloroquina. As dúvidas, os riscos e as polémicas do medicamento que também está a ser usado em Portugal

O estudo que conduziu é polémico, não só por ter sido feito apenas com 26 pessoas, mas sobretudo por ter sido divulgado numa pré-publicação, antes de ser revisto por investigadores independentes. Os dados são confusos e, sem grupo de controlo, as conclusões sobre um eventual benefício do medicamento terão perdido validade científica.

No Panamá, as autoridades de saúde também se preparam para retirar a hidroxicloroquina, bem como a cloroquina e a azitromicina, dos protocolos sanitários de tratamento à Covid-19. As substâncias tinham, oficialmente, uso previsto no tratamento de pacientes infetados desde o dia 23 de março.

Panamá vai retirar hidroxicloroquina dos protocolos para combater a doença

A decisão chega depois de evidências que associam a administração dos medicamentos a complicações cardíacas, uma das conclusões do estudo publicado na The Lancet. “Decidimos retirar a hidroxicloroquina, a cloroquina e a azitromicina dos protocolos sanitários do Ministério da Saúde”, disse na rede social Twitter o infeciologista de pediatria e elemento do gabinete do governo do Panamá para combater a pandemia, Javier Nieto Guevara.

As decisões de França e do Panamá surgem dois dias depois de a Organização Mundial de Saúde ter suspendido temporariamente os ensaios clínicos com hidroxicloroquina, o que aconteceu na sequência do mesmo artigo científico.

Artigo atualizado dia 27 de maio, às 18h.