A Premier League vai voltar no dia 17 de junho, daqui a três semanas, e com ela volta a maior armada portuguesa do futebol inglês. Com Nuno Espírito Santo ao comando, o Wolverhampton tem oito jogadores portugueses e apesar da titularidade de Rui Patrício na baliza, da experiência de João Moutinho, dos golos de Diogo Jota, o grande destaque nacional acaba por ser Rúben Neves. Jovem, polivalente, autor de enormes golos a meia distância, o antigo médio do FC Porto já é um dos capitães de equipa e soube então esta semana que só precisa de esperar mais umas semanas para voltar aos relvados.

“É sempre bom ter de volta as sensações do futebol, as emoções, os golos, tudo. É muito importante que o futebol volte. Estamos muito entusiasmados, principalmente porque esta semana pudemos finalmente jogar realmente futebol nos treinos. Até aqui só tínhamos treinado individualmente ou em pequenos grupos e sem contacto”, disse Rúben Neves em entrevista ao The Guardian. A opinião, como já se sabe, não é unânime. Em Inglaterra, vários jogadores têm mostrado receio em voltar a jogar, como um grupo do Watford e N’Golo Kanté, médio do Chelsea que optou por não treinar na academia dos blues mas que entretanto já retomou os trabalhos, ainda que longe dos colegas.

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Opiniões à parte, o Wolves volta à temporada 2019/20 com ainda muito por disputar. No sexto lugar da Premier League à altura da interrupção, a equipa de Nuno Espírito Santo está perto de garantir a segunda qualificação europeia consecutiva e está ainda em competição nos oitavos de final da Liga Europa. A primeira mão dessa eliminatória, contra o Olympiacos, já foi disputada à porta fechada na Grécia — algo que vai agora repetir-se durante o resto da época.

“É muito estranho, não vamos ver a adrenalina dos adeptos. Estamos habituados a jogar com muito barulho, mas infelizmente a situação está má e não sabemos quando é que as coisas vão voltar ao normal por isso temos de nos habituar. O aquecimento é a parte mais importante quando jogamos à porta fechada, porque está tudo em silêncio, habituamo-nos ao estádio vazio e temos de nos concentrar. Usamos o aquecimento para nos motivar e para não pensarmos no silêncio quando o jogo começar”, explica o médio de 23 anos, que tentou aprender a tocar guitarra durante o isolamento e que ouve uma música específica antes de entrar no relvado.

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“Os Coldplay são a minha banda favorita e esse é o tipo de música que ouço sempre antes dos jogos. Normalmente, a última música que ouço antes de tirar os headphones é a ‘Fix You’. Gosto da letra e ajuda-me a concentrar”, revela o internacional português. A primeira frase de uma das músicas mais conhecidas da banda inglesa aplica-se a todos nós: when you try your best but you don’t succeed, algo como quando tentas o teu melhor mas não tens sucesso. Mas por agora, mesmo a ouvir muitas vezes esta letra, Rúben Neves tem tirado o maior sucesso do melhor que tem feito.