As refinarias da Galp em Matosinhos e em Sines devem retomar a produção em junho, depois da suspensão em abril e em maio, respetivamente, devido à impossibilidade de escoar os combustíveis, face à redução do consumo provocada pela pandemia.

Questionada pela Lusa sobre a retoma da produção nas duas refinarias, fonte oficial da petrolífera disse que “a Galp está a monitorizar a evolução da conjuntura do mercado nacional e internacional, sendo expectável que a retoma da produção possa ocorrer durante o mês de junho, estando assegurada a operação logística de abastecimento ao mercado nacional”.

Na mesma resposta, por escrito, fonte da empresa adiantou que “o ajustamento planeado do sistema refinador da Galp, anunciado no final de abril, está a decorrer conforme o programado”.

Em 20 de abril, a petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva anunciou a suspensão da atividade durante pelo menos um mês na refinaria de Sines, a partir de 4 de maio — que se completa quinta-feira —, depois da paragem da fábrica de combustíveis na refinaria da Matosinhos, no distrito do Porto, por impossibilidade de escoar os produtos produzidos, na sequência da redução do consumo provocada pela pandemia de Covid-19.

Sem revelar o impacto que terá nas contas da petrolífera, a Galp justificou então a decisão com a “evolução da conjuntura nacional e internacional decorrente da prorrogação do estado de emergência”, decretado pela primeira vez em 19 de março por causa da pandemia, que impôs “medidas extremas de contenção, quarentenas cada vez mais restritivas e a paralisação da maioria das atividades económicas”.

Em abril, mês em que vigorou o estado de emergência, em Portugal o consumo de gasolina caiu 61,3% e o de gasóleo registou um decréscimo de 44,6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro).

A associação recordou que, tal como tinha previsto na nota referente às reduções de consumo em março, “em abril elas foram cerca do triplo na gasolina (de 20,9% para 61,3%), mais do triplo no gasóleo (de 12,3% para 44,6%) e dispararam no jet (de 34,3% para 93,4%)”.

Em termos acumulados, desde o início do ano, a quebra de consumo foi de 21,1% na gasolina e de 16% no gasóleo.