Foi uma surpresa para toda a gente. Nos Mundiais de atletismo do ano passado, em Doha, Salwa Eid Naser bateu Shaunae Miller-Uibo, a atual campeã olímpica dos 400 metros, e tornou-se campeã do mundo. Mais: com apenas 22 anos, a atleta que nasceu na Nigéria e compete pelo Bahrain alcançou a terceira melhor marca da história nesta distância, sendo desde logo um dos destaques daquela edição dos Mundiais. Meses depois, o nome de Naser volta a fazer manchetes: mas por motivos bastante diferentes.

Na passada sexta-feira, a Athletics Integrity Unit (AIU) anunciou que a atleta estava suspensa de forma provisória por ter violado três vezes as regras da Agência Anti-Doping. Como? Ora, todos os dias, todos os atletas têm de informar as autoridades anti-doping sobre o sítio onde vão estar durante uma hora, em caso de necessidade de serem testados. Esta violação indica que Naser não informou a agência sobre o local onde a podiam encontrar ou, em alternativa, não estava onde disse que ia estar. Segundo o comunicado da AIU, isto aconteceu em três ocasiões diferentes ao longo de um ano, todas antes dos Mundiais de Doha — ou seja, em situações normais e em cenário de uma investigação mais célere das autoridades, Salwa Eid Naser nem sequer tinha chegado a competir no Qatar no ano passado.

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“A investigação sobre estas três violações em 2019 estava a decorrer na altura dos Mundiais de Doha e a atleta não estava provisoriamente suspensa nessa altura. Depois da conclusão da investigação e de uma nova violação em janeiro de 2020, uma nota de culpa foi emitida e a atleta foi sujeita a uma suspensão provisória imediata”, esclarece um novo comunicado da AIU, este domingo, que refere então que Salwa Eid Naser voltou a quebrar as regras já este ano. Normalmente, os atletas que são acusados deste tipo de violações acabam por ser suspensos durante dois anos: o que significa que a representante do Bahrain ficaria sem o título mundial conquistado no ano passado e falharia os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.

No Instagram, num live que serviu para comentar o episódio e para apresentar a respetiva defesa, Naser garantiu que falhar três controlos é “normal”. “Nunca fui batoteira. Nunca vou ser. Só falhei três controlos, o que é normal. Acontece. Pode acontecer a toda a gente. Não quero que as pessoas fiquem confusas com nada disto porque eu nunca iria fazer batota. Este ano ainda nem fui testada e ainda estamos a falar sobre os testes da temporada passada, antes dos Mundiais”, desabafou a atleta de 22 anos, que acrescentou ainda que espera que “tudo se resolva” porque não gosta “desta imagem”. “Vai ficar tudo bem. É muito difícil ter esta pequena nódoa no meu nome. Seria incapaz de tomar drogas para melhorar a minha performance. Acredito no talento e sei que tenho talento”, terminou.