O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Jerome Powell, assegurou esta quarta-feira que o banco central nem sequer pensa em aumentar as taxas de juro, dada a atual situação económica dos Estados Unidos.

“Não estamos a pensar em aumentar as taxas”, afirmou Powell numa conferência de imprensa virtual, após dois dias de reunião do comité de política monetária da instituição.

“Não pensamos sequer em pensar aumentar as taxas”, reiterou o presidente da Fed, que considerou que o mercado laboral nos Estados Unidos terá “batido no fundo” em maio. “Não vamos exagerar na reação a um único indicador”, acrescentou Jerome Powell.

A Fed antecipa uma queda de 6,5% da economia dos EUA este ano, devido à pandemia, e uma recuperação de 5% em 2021. Quanto ao desemprego, estima uma taxa de desemprego de 9,3% este ano e de 6,5% em 2021.

Na conferência de imprensa, Powell começou por reconhecer os protestos generalizados após a morte de Goerge Floyd, que chamaram a atenção para as injustiças raciais no país.

“Quero reconhecer os trágicos eventos que colocaram em evidência [os temas sobre racismo]”, afirmou o presidente da Fed. “Não há lugar na Reserva Federal para o racismo e não deve haver lugar na nossa sociedade”, sublinhou.

Relativamente às taxas de juro – no início da crise cortou as taxas de juro colocando-as entre 0% e 0,25% e lançou várias injeções maciças de liquidez -, ficam inalteradas, por decisão unânime do comité de política monetária.

A Reserva Federal especificou que vai comprar 80 mil milhões de dólares (cerca de 71 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual) de dívida pública por mês e 40 mil milhões de dólares (35 mil milhões de euros) em títulos garantidos por hipotecas (imobiliário residencial e empresarial).

O banco central norte-americano tinha vindo a reduzir estas aquisições desde março, sendo que esta é “primeira vez” que a Fed indica a dimensão da sua atuação no mercado nos próximos meses, de acordo com o comunicado emitido no final da reunião de dois dias do seu comité de política monetária.

A Fed refere ainda que a pandemia de covid-19 tem implícito “um considerável risco” para as perspetivas económicas nos próximos 18 meses.