O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, reclamou esta sexta-feira para os trabalhadores a mesma atenção que o Estado tem dado às empresas nas medidas de apoio à crise provocada pela pandemia Covid-19.

O dirigente falava em Bragança onde a UGT reuniu esta sexta-feira o secretariado nacional para aprovar por unanimidade um projeto de resolução com as reivindicações a apresentar ao orçamento retificativo do Governo, que deverá ser votado na Assembleia da República a 3 de julho.

A central sindical quer que o Governo olhe para o emprego, não apenas do ponto de vista das empresas, mas também com medidas de apoio aos trabalhadores que entende “foram extremamente penalizados” nos últimos meses.

“Vemos muitos apoios para as empresas, vemos muitas necessidades a acudir às empresas que criam emprego, mas vemos poucas preocupações em relação aos trabalhadores”, afirmou Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT deu o exemplo da isenção da Taxa Social Única (TSU) concedida aos patrões, que equivale a um desconto para a Segurança Social de 23,75% por cada trabalhador, enquanto “a isenção que foi dada aos trabalhadores foi zero”.

Carlos Silva vincou que os trabalhadores precários “foram os primeiros a ser escorraçados logo em março, quando se iniciou o Estado e Emergência” e perguntou “onde é que está o apoio a esses trabalhadores”.

“Foram para a rua, as empresas recorreram ao layoff para receberem dinheiro do Estado, mantiveram muitos trabalhadores em layoff com um corte salarial tremendo e agora algumas querem continuar a cavalgar a onda e tentar contrariar aquilo que foi o discurso do primeiro Ministro”, declarou.

A UGT lembra que “muitos trabalhadores precários que foram postos no meio da rua durante esta situação não tinham condições sequer de chegar ao subsídio de desemprego” e quer que o Estado disponibilize medidas para estas situações.

Reclama também a redução do corte no salário dos trabalhadores que foram para casa e estão a receber 65% do salário, pagos pela Segurança Social e pela entidade patronal, o chamado layoff.

“Para a UGT o ideal era ter 100% de salário, mas não havendo condições para o Governo acudir a todos, então que acuda de uma forma mais substancial”, concretizou, acrescentando que “o Primeiro Ministro se comprometeu a reforçar o rendimento dos trabalhadores”.

A UGT quer também mais diálogo social, nomeadamente na Função Pública, acusando o Governo de já se ter esquecido “das necessidades de reposição das carreiras, das progressões, da melhoria dos salários, a valorização do diálogo social”.

“É preciso alocar recursos, o país, neste momento tem uma dívida de gratidão com os profissionais de saúde, não é com bilhetes para o futebol que se resolve o problema, é preciso valorizar o trabalho desses e de todos os outros”, afirmou.

Carlos Silva ilustrou a falta de recursos com o que entende ser “a incapacidade da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) fazer totalmente e de forma cabal o seu trabalho”.

“Como é que se fiscalizam o incumprimento e as ilegalidades que milhares de empresas estão a fazer”, questionou referindo-se a casos como o de uma empresa que recebeu o layoff e estava a trabalhar a tempo inteiro”

O secretário-geral da UGT diz que o se observa “é que os empresários, em Portugal, foram todos beber à teta do Estado, está toda a gente a bater à porta” e o que quer saber é se “depois, as empresas que recebem apoios do Estado vão garantir os salários e se houver desemprego e as empresas fecharem não vão ter responsabilidade, porque o dinheiro que lhes foi entregue também é dos contribuintes”.