No dia em que o Reino Unido excluiu Portugal dos corredores de viagens que permitem entrar na ilha britânica sem ser sujeito a quarentena, os números da pandemia continuam a não dar motivos para relaxar: foi registado o maior número de óbitos desde 3 de junho.

Em 24 horas Portugal registou 374 novos casos de infeção com SARS-CoV-2, dos quais 300 só na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde divulgado esta sexta-feira. No total, Portugal já registou 43.156 infetados com o novo coronavírus.

É também nesta região que se regista a quase totalidade dos óbitos de doentes com Covid-19 (11). Há ainda a registar uma morte na região do Alentejo e uma correção no Centro (onde se retirou o registo de uma morte).

A região de Lisboa e Vale do Tejo é assim a que tem mais casos registados desde o início da pandemia, com um total de 19.956. E já ultrapassou a região Norte, com 17.664, que foi a região mais afetada no início da pandemia em Portugal.

A ministra da Saúde, Marta Temido, acautela, no entanto, que os números de Lisboa ainda poderão ser alvo de um acerto. Um dos laboratórios privados parceiro do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (Sinave) não fez a devida notificação em três dias desta semana, disse a ministra em conferência de imprensa, o que significa que há 200 notificações que vão ter de ser analisadas para ver a que datas correspondem e se já foram reportadas ou não.

Cerca de 80% dos casos estão registados na região de Lisboa, deixando cerca de 11% (40 casos) para a região Norte que é a segunda com mais casos nas últimas 24 horas. No dia anterior, o Norte tinha registado 39 casos.

O Algarve que nas últimas duas semanas registou mais de 200 novos casos, tem nestas últimas 24 horas 10 casos e um total de 37 desde segunda-feira. O Alentejo, por sua vez, tem registado seis a oito novos casos por dia desde segunda-feira, mas nas últimas duas semanas tinha registado um total de mais de 180 casos.

Portugal na lista negra do Reino Unido, no dia com o número mais alto de mortes desde 3 de junho

O arquipélago da Madeira e o dos Açores sem novos casos a registar, apenas dois casos no decorrer da semana e oito nas duas últimas semanas, confirma a ideia do Reino Unido de que as ilhas são locais para onde os britânicos podem viajar de forma segura. Até porque ambos os governos regionais exigem que os visitantes realizem um teste para o novo coronavírus.

O problema é que mesmo sendo territórios seguros fazem parte de Portugal e quem voltar a Inglaterra depois de passar pelas ilhas vai mesmo ter de cumprir um isolamento de 14 dias.

Menos doentes com Covid-19 internados

Entre os números da pandemia também existem registos positivos. Nas últimas 24 horas houve mais 327 doentes com Covid-19 que recuperaram da doença, perfazendo um total de 28.424 pessoas recuperadas.

À meia-noite desta sexta-feira, data de registo dos últimos dados, havia 495 doentes internados, menos 15 do que no dia anterior. Destes, 72 estão nos cuidados intensivos, menos cinco desde o último registo.

Como seria de esperar, a maior parte dos doentes internados (365, que representam 74%) localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, os quais ocupam 60 camas nos cuidados intensivos (83%). Depois de fazer referência a estes números, Marta Temido acrescentou que Portugal tem 121 mil camas hospitalares no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 534 “só de cuidados intensivos polivalentes de adultos”.

Portugal: 374 novos casos. Número de mortos mais alto desde três de junho

Tantas mortes entre mulheres como entre homens

Portugal já registou desde o início da pandemia 1.598 mortes. Neste momento, há tantos óbitos entre as mulheres como entre os homens (799 em cada grupo).

O grupo onde se registaram mais mortes foi entre as mulheres de mais de 80 anos (605), mas em todas as outras faixas etárias (até a um mínimo de 40 anos) houve mais óbitos registados no grupo dos homens: 464 nos homens com mais de 80 anos e 187 entre os 70 e 79 anos.

Entre os 20 e 29 anos e entre os 30 e os 39 anos registou-se, desde o início da pandemia, a morte de um homem e de uma mulher em cada grupo etário.

A tosse continua a ser a queixa mais frequente entre os doentes com Covid-19 (37%), com destaque também para a febre (28%), dores musculares (21%) e cefaleia (20%). A dificuldade respiratória representa 10% das queixas.