A Comissão Europeia acredita que Portugal vai ter uma quebra no PIB muito próxima dos dois dígitos, atingindo os 9,8%, o que representa uma forte revisão em baixa face às previsões feitas no início de maio (-6,8%) — ainda com um quadro muito incompleto dos efeitos da pandemia nas economias europeias. Para 2021, Bruxelas espera agora uma recuperação de 6,0%, apenas duas décimas mais do que nessas contas da primavera. Para a zona Euro, a Comissão prevê uma quebra de 8,7% este ano (era de 7,7% em abril) e uma recuperação de 6,1% em 2021, enquanto que para o conjunto da União Europeia é esperada uma contração de 8,3%.

Dois meses depois, as previsões de verão tornam-se bem mais sombrias para Portugal: “A performance económica deve deteriorar-se a um ritmo muito mais elevado, de cerca de 14% no segundo trimestre (comparação face ao trimestre anterior), refletindo contrações significativas na maior parte dos indicadores económicos”.

De acordo com a Comissão Europeia, o mês de março, em que foi decretado o estado de emergência pela primeira vez, terá gerado uma quebra de 3,8% em todo o primeiro trimestre, face ao trimestre anterior, seguido de uma queda de 14,1% entre abril e junho. A recuperação começará no terceiro trimestre, com subidas de 6,8% até setembro e 2,9% entre outubro e dezembro, mas insuficientes para fazerem face à enorme queda registada nos meses em que sentiram as restrições por causa da pandemia.

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A Comissão lembra que o turismo foi o setor “mais significativamente afetado, com as visitas a colapsarem quase 100% em abril relativamente a um ano antes”. O Indicador de Sentimento Económico também baixou “de forma abrupta” de 105,7 pontos em fevereiro para 63 pontos em maio, tendo depois uma recuperação para 74,1 pontos em junho.

Por outro lado, o desemprego “continuou estável”, na casa dos 6% em abril, na medida em que o lay off “não teve um impacto imediato nas estatísticas” e as medidas do Governo “também ajudaram a mitigar o impacto”.

Com o fim do confinamento em maio, “a atividade económica começa lentamente a subir, mas para muitas empresas, como companhias aéreas ou hotéis, é expectável que continuem bem abaixo dos níveis pré-pandemia durante um período maior.

Além do PIB, Bruxelas disponibiliza ainda as previsões para a inflação, que deverá ficar em terreno nulo (0%) em 2020 e ter uma subida (1,2%) em 2021.

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