Máximo número de pontos numa só edição da Premier League, risca.

Lacazette, o herói do Arsenal no dia em que Van Dijk fez o que quase nunca faz — errou

Máximo número de pontos fora numa só edição da Premier League, risca.

O ex-campeão City atropelou o novo campeão Liverpool, com De Bruyne a pôr as mudanças e Sterling a acelerar

Menos empates numa só edição da Premier League, risca.

Mais vitórias consecutivas em casa na Premier League, risca (apesar de ter sido um novo recorde).

Pope aguentou, Rodríguez teve fé e o Burnley acabou com a missa cantada do Liverpool em Anfield

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Mais vitórias consecutivas na Premier League, risca (ou melhor, já tinha riscado mesmo igualando o recorde).

Depois da pandemia, o Liverpool, aquela máquina trituradora que tinha apenas um empate e uma derrota ao longo de toda a Premier League, empatou sem golos o dérbi com o Everton, goleou o Crystal Palace e nem precisou de ir mais a jogo para carimbar um título que não ganhava há 30 anos. Na “ressaca” desse sucesso, recebeu guarda de honra no Etihad Stadium dos jogadores do Manchester City, até teve uma entrada muito equilibrada como sempre mas acabou por ser goleado. Seguiram-se vitórias contra Aston Villa e Brighton mas havia qualquer coisa que não funcionava da mesma forma e a quebra chegou no jogo seguinte, em Anfield, com o 1-0 completamente controlado que podia ter ido a goleada a transformar-se em 1-1 e a quase dar vitória ao Burnley a quatro minutos do final. Na última jornada, a confirmação da descida que impediu superar os 100 pontos do Manchester City há duas épocas, com a derrota inesperada em Londres frente a um Arsenal capaz do melhor e do pior.

30 anos depois, está feita história: Liverpool sagra-se campeão (e tem de agradecer ao Chelsea)

Em condições normais, aqueles “risca” supracitados estariam a verde como se fossem uma raiz quadrada, sendo feitos para assinalar os objetivos cumpridos ou quase a ser alcançados. Mas não, era mesmo uma cruz vermelha com os registos não superados. Frente ao Chelsea, num jogo fabuloso com oito golos, duas obras de arte (o livre direto de Alexander-Arnold e a jogada para o 4-2), um americano chamado Pulisic a brilhar no meio do terreno dos americanos (John W.Henry e Tom Werner, entre outros, líderes do Fenway Sports Group que detém o Liverpool) e muito fogo de artifício entre as centenas e centenas de adeptos que se juntaram nos arredores do estádio para fazerem a festa possível da entrega do título ao capitão Jordan Henderson. No meio disto, o futebol agradece. E os reds ainda igualaram o melhor registo de sempre da Premier League em casa (55 em 57 pontos).

Antes do jogo, e num dos pontos curiosos, o técnico Jürgen Klopp até abordou mais o futuro do que propriamente o presente, falando também da contratação de Timo Werner e do interesse em Kai Havertz, alemães que estariam na lista de jogadores referenciados pelo Liverpool. “Estou muito contente com o plantel, a 100%. No ano passado toda a gente perguntava se vinha aquele, aquele e aquele, não veio. Tentamos sempre tomar as melhores decisões mas a Covid-19 chegou, as coisas mudaram e não será para melhor, em tudo. Isso não quer dizer que não possamos melhorar o plantel mas teremos de ver. Este ano, não comprámos e vejam o que aconteceu…”, atirou, sem negar a ideia que os jogadores poderiam ter sido reforços mas admitindo que a pandemia mudou o cenário.

Com ou sem reforços, com mais ou menos recordes e entre títulos, o Liverpool voltou este ano a ser um hino ao futebol. Em 2019 ganhou a Champions, em 2020 a Premier, em 2021 vai lutar por Champions e Premier.

Motivado pela qualificação para a final da Taça de Inglaterra, naquele que poderá ser o primeiro título de Frank Lampard pelos blues como treinador (como jogador foram 13, incluindo três Campeonatos com José Mourinho além de uma Liga dos Campeões e uma Liga Europa já sem o português), o Chelsea regressou ao sistema de três defesas com James e Marcos Alonso a fazer as alas e foi através dessa organização coletiva que teve uma entrada mais segura no encontro, com Mason Mount a ter a melhor oportunidade rematando pouco por cima na área em boa posição. Todavia, bastaram 20 minutos de Liverpool como Liverpool para mudar tudo à Liverpool.

Na primeira vez em que falhou na saída em construção a partir de trás, com Willian a ficar sem bola perto da área, Naby Keita começou a abrir o livro com um remate ao ângulo sem hipóteses para Kepa (23′). O Liverpool passou para a frente do resultado e para a frente do jogo, com outra capacidade de controlo do jogo com e sem bola que secou o Chelsea em termos ofensivos e que teve resultados práticos mais tarde com Alexander-Arnold a marcar um fantástico livre direto por cima da barreira ao ângulo (38′) e Wijnaldum a aproveitar uma segunda bola perdida na área para rematar forte e fazer o 3-0 (43′), uma vantagem que conseguiu apenas ser reduzida pelos visitantes antes do intervalo com Giroud a encostar após defesa incompleta de Alisson a remate de Willian (45+2′).

Apesar de uma fase menos conseguida que deitou quase tudo a perder, aquele golo do francês poderia ser um sinal de esperança para os londrinos, que em caso de triunfo asseguravam de imediato o regresso à Liga dos Campeões. Tinha, ainda assim, de entrar mais forte do que aconteceu. Firmino agradeceu, aumentou mais uma vez o avanço dos reds para três golos com Kepa desamparado entre os postes mas precipitou também o início do Pulisic show, um americano cada vez mais em destaque na Premier League que inventou uma fantástica jogada para o recém entrado Abraham marcar o 4-2 (61′) e conseguiu uma grande rotação para área para fazer o 4-3 (73′). O jogo estava de vez partido e, quando já se via e ouvia o fogo artifício pela festa nas ruas de Liverpool, a equipa fez o resultado final num lance que começou num livre lateral para o Chelsea e cinco/seis toques depois tinha Oxlade-Chamberlain a marcar na área contrária com Kepa a olhar em frente sem perceber o que se passara (84′).