O Supremo Tribunal de Justiça dos EUA recusou o recurso de associações ambientalistas para que fosse impedida a construção do muro que a administração Trump pretende fazer crescer na fronteira mais a sul, com o México. O canal norte-americano ABC revela ainda que esse projeto de extensão do muro vai custar 2,5 mil milhões de dólares, retirados do orçamento militar do país.

O processo de tomada de decisão foi renhido (cinco votos a favor e quatro contra) e permite que a construção prossiga, apesar das várias batalhas legais, que têm o muro como elemento central, ainda em andamento.

“A luta continua”, disse o advogado Dror Ladin, da União Americana das Liberdades Civis, que representa os grupos ambientalistas envolvidos neste caso. “Todos os tribunais inferiores que consideraram a questão declararam ilegal o muro do presidente Trump, menos o Supremo”, acrescentou.

“Voltaremos ao Supremo em breve para acabar de vez com o muro xenófobo de Trump”, continuou Ladin. “O governo admitiu que o muro pode ser derrubado se, no final de tudo, ficarmos por cima. Vamos fazê-los cumprir com sua palavra e procurar a remoção de cada quilómetro deste muro ilegal”.

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O muro na fronteira sulista dos EUA é uma plataforma do movimento Trump desde o início da sua campanha em 2016. O então candidato prometeu repetidamente que iria construir um muro ao longo de toda a fronteira EUA-México e que seria a nação centro-americana a pagar tudo. “Build The Wall!” [“Construam o muro!”] foi um dos slogans de campanha do agora presidente, banda sonora dos seus comícios.

Tanto o ex-presidente mexicano Enrique Peña Nieto como o atual Andrés Manuel López Obrador condenaram a construção do muro. Mesmo assim, Trump está há três anos e meio a tentar edificar a estrutura — processo que, na verdade, pouco ou nada avançou. A administração comemorou a conclusão de 160 quilómetros de construção em janeiro, mas a maior parte do que foi terminado foi apenas a substituição dos projetos de barreira mais pequenos que já existiam. Trump visitou a fronteira no final de junho para comemorar os 320 quilómetros de construção em pleno epicentro do caos causado pela pandemia.