O SOS Racismo apresentou uma queixa ao Ministério Público depois de a sede ter servido de palco a uma manifestação de extrema-direita no último fim de semana, noticiou o Público. Os participantes serão membros da Resistência Nacional, um novo grupo que reúne antigos militantes da Nova Ordem Social, Partido Nacional Renovador e dos Portugal Hammer Skins.

A “parada Ku Klux Klan” — assim lhe chamou a instituição — foi o mais recente episódio de afronta do movimento extremista ao SOS Racismo, que acusa os participantes de ameaças à integridade física, ofensas morais e danos patrimoniais e incitamento ao ódio e violência. Ainda no mês passado, a fachada da organização anti-racista foi vandalizada com frases inscritas em spray preto que diziam: “Guerra aos inimigos da minha terra”.

A comparação entre a manifestação do fim de semana com o grupo norte-americano de supremacia branca está relacionada com os ornamentos utilizados pelos participantes. As fotografias publicadas nas redes sociais demonstram que os manifestantes usaram casacos com capuz, máscaras brancas que ocultavam o rosto e tochas — um modus operandi semelhante ao observado pela organização terrorista americana.

Na calada da noite, duas dezenas de militantes de extrema-direita organizaram este domingo um protesto em frente à sede…

Posted by Ricardo Cabral Fernandes on Monday, August 10, 2020

De acordo com o Público, uma publicação colocada no Facebook de uma página chamada “Resistência Nacional” afirma que o grupo visitou de facto as instalações do SOS Racismo numa manifestação contra o “racismo anti-nacional” e numa “homenagem aos polícias mortos em serviço”: “A sede do SOS Racismo recebeu hoje uma visita nossa”, pode ler-se na publicação em causa.

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Em declarações ao mesmo jornal, Mamadou Ba, um dos dirigentes do SOS Racismo, confirma que pensa que os episódios deste fim de semana e o vandalismo de que a instituição foi vítima em julho estão relacionados: “Isto é uma escalada. Uma coisa é fazerem uma manifestação no espaço público em que assumem uma posição política contra o anti-racismo, o que é inaceitável em democracia, mas elegerem uma organização anti-racista como alvo a abater, fazer ameaças de morte e, não contentes, fazerem uma parada militar à moda de Ku Klux Klan ultrapassa todos os limites do confronto ideológico”.

Artigo atualizado com imagens da manifestação, que entretanto circulam nas redes sociais.