A diretora geral da Saúde, Graça Freitas, explicou esta sexta-feira que o fecho das escolas por causa do novo coronavírus, a ser feito, será “cirúrgico”. “A intenção é que encerrar na totalidade uma escola seja uma exceção”, disse na habitual conferência de imprensa sobre a evolução da Covid-19 em Portugal.

Assim, cada escola será uma escola. As autoridades vão avaliar sempre as condições daquelas instalações, assim como os contactos dos infetados e o comportamento do vírus naquela comunidade. Graça Freitas defendeu também que quando for possível limitar a uma turma, a uma zona, ala ou um setor o encerramento, assim será feito. Só “em casos extraordinários”, com muitos casos na escola e uma propagação comunitária intensa, é que a escola poderá ser encerrada. Lembrando que são ponderados muitos critérios para a tomada de decisão.

“Temos que restringir a nossa socialização mesmo, temos que esforçar-nos para não termos contactos com outras pessoas, porque quantos menos contactos, menos contágio”, avisou .

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Graça Freitas voltou a lembrar que a utilização de máscaras por si não serve para conter a infeção pelo novo coronavírus. Quando questionada pelo Observador se ponderava impor a utilização destes equipamentos de proteção na rua, à semelhança do que fez o presidente da Câmara de Guimarães, a responsável afirmou que para já não.

“Não quer dizer que não possa a vir ser recomendada em agrupamentos de mais pessoas, situação diversa é recomendar o uso universal”, ressalvou.

A diretora geral da Saúde sublinhou que os contactos entre outros agregados familiares e com pessoas que vivam noutras “bolhas” devem ser evitados ao máximo e a maior parte dos últimos casos de contágio foram registados entre agregados da mesma família que se juntaram.

“Neste momento quando vamos ver os surtos é famílias, é a família, é a família,, depois é o social, o laboral, e é a família, familia”, disse.

No dia em que o número de casos voltou a subir para 687 novos (desde 16 de abril que não se registava um número tão alto) e em que nas últimas 24 horas três pessoas morreram com o novo coronavírus, a ministra da Saúde, Marta Temido, fez questão de sublinhar que “este recomeço” no regresso às aulas “se faz num contexto pandémico”.

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“Estamos melhor preparados, para resposta a esse contexto, em termos de recursos, de métodos de trabalho, em termos de conhecimentos, mas até à vacina e ao tratamento eficaz há um risco real”, avisa a ministra Marta Temido. Lembrando que a única forma de “achatar a curva” e reduzir o número de novos casos é através do “esforço individual de cada um”.

De sublinhar que a partir de terça-feira são proibidos ajuntamentos de mais de dez pessoas e nos estabelecimentos junto às escolas e em centros comerciais não podem atender grupos superiores a 4.

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